segunda-feira, outubro 19, 2009

Derrubada do Diploma de Jornalismo em Discussão

:: Artigo ::
Monique Barcellos

Fatos importantes são noticiados a todo o momento no Brasil e no mundo, pela TV, em jornais, revistas e em tempo real pela Internet. Graças a jornalistas que sobreviveram até meados dos anos 70 e 80 sem o reconhecimento de um registro tão comum às formalidades das demais áreas atuantes na sociedade: O registro profissional através do diploma de jornalismo.

Ao longo de décadas e da crescente demanda de profissionais na iminência de cada vez mais especializações, foram criados os manuais, cursos técnicos e, em seguida, os cursos superiores de jornalismo, aliados a outros pólos de comunicação social, como Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Marketing.

O comunicador e as instituições de ensino passaram a enxergar o jornalismo com a devida relevância na matriz de transmitir e contextualizar fatos e processos de ordem social, além de formar a opinião pública dentro de uma teia ética, importante conceito profissional ao alcance do estudante e a serviço de todas as camadas da população.

A necessidade do curso superior em jornalismo para exercer a carreira foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em votação realizada no dia 17 de junho, cerca de quatro meses atrás.

O presidente do STF e relator, ministro Gilmar Mendes (foto) entrou com o processo de votação. Os ministros Carmén Lucia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso e Ellen Gracie seguiram a proposta de Mendes. Teve aprovação do Supremo por 8 votos a 1.

Logo após a notícia foi aberta uma audiência pública ao vivo na TV Câmara para discutir os impropérios dessa nova lei, que contou com representantes dos meios de comunicação, estudantes e ministros.

Segundo o site do jornalista da Rádio CBN e Globo News, Sidney Resende, Gilmar Mendes salientou ainda que o jornalismo se diferencia por uma estreita vinculação ao exercício pleno da liberdade de expressão e informação.

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o diploma de jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão, parlamentares uniram esforços para reverter a decisão. No último dia 2, a exigência do diploma de jornalismo chegou à pauta no Senado. No dia 7, porém, Mendes cobrou do Congresso regras para imprensa. Segundo a Folha Online, o ministro afirmou que o Legislativo brasileiro precisa aprovar regras para disciplinar ações nas quais são discutidos assuntos relacionados à liberdade de imprensa.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara discutiu a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 386/2009) que pretende restabelecer a obrigatoriedade do diploma no exercício do jornalismo.

A deputada Rebecca Garcia está coordenando a instalação da Frente Parlamentar, o deputado Paulo Pimenta protocolou a Proposta de Emenda à Constituição 386 (PEC) e o deputado Emiliano José solicitou à presidência a instalação de uma comissão especial para analisar a questão.


::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

:: Exclusivo neste Blog ::


Confira boletins atualizados sobre a Frente Parlamentar pela restituição do Diploma de Jornalismo

(Atualizado até a tomada da decisão da CCJ)


CLIQUE AQUI


::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::




Presidente da Fenaj: “ Ética jornalística não está à venda no açougue ”

Entre sucessivos protestos de acadêmicos e da classe jornalística, o presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murilo de Andrade afirmou, segundo artigo no site IG, que a não-obrigatoriedade do diploma para a prática jornalística pode degradar a profissão. Segundo ele, além de teorias e técnicas práticas, durante o curso superior, o estudante de jornalismo se apropria de princípios éticos da profissão que “não se compram nos supermercados" e que "não estão à venda no açougue”.
Na opinião do jornalista, a decisão da Corte abre oportunidades para que pessoas muito desqualificadas exerçam a profissão. Por outro lado, os representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e da Associação Nacional dos Jornalistas (ANJ), Rodrigo Kaufmann e Márcia Lyra Bergamo, respectivamente, saíram em defesa do STF.
Andrade ainda questionou a possível falta de critérios profissionais na hora das empresas jornalísticas contratarem seus empregados: “Se joga na lata de lixo a conquista da sociedade brasileira de investir no ensino superior, de qualificação do estudante. Isso foi substituído pelo dono do jornal, dono da rádio, ou dono da TV. Eles é que vão decidir quem está apto. Não me parece justo. (...) Para o bem da sociedade, o jornalismo deve ser exercido por quem se habilita, por quem investe na sua formação em uma escola reconhecida pelo governo federal”.
Segundo o artigo no site IG, a emenda tem que ser aprovada pela CCJ da Câmara para seguir ao plenário da Casa. Segundo o deputado Mauricio Quintella Lessa (PR-AL), que presidiu a sessão, a previsão é que a admissão ou não da proposta seja analisada quarta-feira, 21 de outubro.


OPINIÃO DA JORNALISTA

Abre-se um leque de possíveis “jornalistas” sem legitimidade nem credibilidade em pleno exercício da profissão, dita pelos mais românticos como glamourosa, intelectualista, democrática. A essa altura do campeonato, confundir democracia com despreparo profissional pode fazer a sociedade pensar: e se o mesmo fosse feito, por exemplo, com a medicina?
Tendo como hipótese a existência de uma parcela de médicos antiéticos, ou até mesmo que nem buscaram conhecimento acadêmico, especialização para se dizerem doutores, faria com que a grande maioria dos médicos no Brasil não tivessem direito de exercer a profissão de forma digna e legítima, abrindo portas para a classe médica incapaz de salvar a vida de pacientes?
Como se cria uma lei sobre postura ética, sem exigir esse conhecimento através de universidades?

O jornalismo já conquistou um espaço acadêmico assim como a Medicina, o Direito, a Arquitetura, a Engenharia e todas as áreas científicas (Humanas e Exatas), que merecem ser exercidas com a mesma ordem de legitimidade para o serviço e segurança da sociedade e ainda, no caso do jornalismo, apoiado na Lei de Liberdade e de Expressão e não na omissão de fatos ou interesses pessoais de acordo com o código de Ética em Jornalismo.
Poderia-se pensar em uma sociedade com senso crítico a ponto de reconhecer justamente a dimensão de poder que o jornalismo exerce, e os verdadeiros motivos que impulsionam a censura e segregação do jornalista profissional atualmente. Mas isso só pode ser almejado se tivermos plenos direitos e não formos submetidos aos interesses de uma minoria. Isso sim deveria ser inconstitucional.

Entre as declarações de Mendes, podemos interpretar que o ministro defende a teoria de que qualquer cidadão comum tem autonomia de exercer o jornalismo sem a devida especialização, teoria que vai de encontro à mesma prática em países desenvolvidos, onde se leva em conta uma estrutura organizacional e educacional de excelência, ou seja, o ensino fundamental e médio e a ordem social nesses países de primeiro mundo é exemplar, o que já não se pode afirmar no caso do Brasil e, portanto adotar o mesmo critério seria no mínimo negligente.

Tentar ignorar o abismo sociocultural e o fato de que o exercício do jornalismo tem como base posicionar o senso crítico, aprendizado em teorias midiáticas, a especialização em técnicas para cada veículo de mídia (e que essa base é oferecida e passada hoje no meio acadêmico) também é ignorar o fato de que não proporcionar a um estudante legitimidade de um diploma ao se formar, e a dignidade no exercício da profissão em uma área que preza a liberdade de expressão e informação é nada menos que um retrocesso de censura.

:::::: Monique Barcellos é jornalista profissional, formada em 2007. Trabalha com Radiojornalismo, Assessoria de Imprensa, Produção de Cultural e Divulgação Online.::::::

Contato: moniquebarcellos@gmail.com


.

6 comentários:

  1. Adorei a matéria, minha irmã!
    Esses governantes votam e criam leis em causa própria, para abafar seus escândalos, tendo em vista a falta de moral e ética em seu próprio papel em relação à sociedade e aos profissionais que dedicaram 4 anos ou mais de sua vida, arduamente por uma profissão digna e fomentadora de opinião pública! É, de fato, um retrocesso e, acima de tudo, um desrespeito ao profissional de jornalismo, que com todo seu empenho nos dá sempre voz diante dos líderes!

    Beijos,

    Adriane Barcellos

    ResponderExcluir
  2. a disputa do trabalho fica maior
    ganha quem tem + curriculom
    keep think positive klos

    ResponderExcluir
  3. bela matéria! e no fim das contas só familiar de politicos nas suas proprias empresas de comunicação... ao invés de exigir mais qualidade e aprimoramento na profissão... é o Brasil "minha gente"...

    Torvi

    ResponderExcluir
  4. Monique, querida amiga virtual!
    O que me preocupa nessa história toda é que a profissão de jornalista se não está bem com diploma, ficará muito pior sem...

    E os argumentos para se cassar o diploma de jornalista, com os quais não concordo, podem, perfeitamente, ser aplicados para se acabar com o diploma de advogado.

    E o STF vai querer isso?

    ResponderExcluir
  5. É, AGORA TODO MUNDO PODE SER JORNALISTA!

    A GLOBO vaí até mudar o nome do programa do Caco Barcellos (Pai da nossa amiga Monica), para "PROFISSÃO EX-REPÓRTER".

    Se pra ser Jornalísta não precisa mais ter Diploma, para ser político nunca precisou ter vergonha na cara, e não vai ter Emenda que resolva! Com essa atitude apenas se desvalorizou, uma profissão extremamente importante para um país com tanta sujeira escondida. Seria MEDO, ou RESPEITO? Fica essa pergunta latejando em nossa cabeça, se os politicos estão agindo indiretamente contra a liberdade de expressão?! Fiquemos de olhos bem abertos!

    Rafael Melo, estudante de Ciências Contabéis.

    CHAPA QUENTE

    rafinharms@gmail.com

    hotsheet.blogratuito.net

    ResponderExcluir
  6. Rafael, quem te disse que sou filha do Caco?? Meu pai se chamava Osvaldo, e também é Barcellos e também era jornalista, mas não tem nada a ver com o "Bonitão Repórter" não..
    Caco não é nepotista, e muito menos eu né!
    hauhauhauahaua
    Essa foi boa!

    Feita a réplica, obrigada por comentar! Abçs

    ResponderExcluir

Fique à vontade e por favor, ASSINE seu comentário!