terça-feira, abril 27, 2010

MTE registra mais de mil jornalistas sem diploma!!

:: Boletim - Diploma de Jornalismo ::

Após decisão do Supremo, MTE registra mais de
mil jornalistas sem diploma

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já contabiliza 1098 registros de jornalistas sem graduação específica na área, após a decisão do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a obrigatoriedade de diploma para exercer a profissão.



"Se Jornalismo é informar para transformar, sem a devida qualificação,
nossas vestes nacionais,
fatalmente, serão trapos."
(Monique Barcellos)

A emissão de registro para jornalistas sem graduação passou a ser adotada pelo MTE no início deste ano, após publicação do acórdão da decisão. A orientação é de que os profissionais formados sejam registrados como “Jornalista Profissional”, e os sem diploma, “Jornalista/Decisão STF”.

O estado que mais emitiu o registro para não diplomados foi São Paulo, com 554 emissões. A lista segue com Minas Gerais (113) e Distrito Federal (70). O único estado que ainda não emitiu esse tipo de registro foi o Amapá. Os dados contabilizam registros emitidos até o dia 09/04.

Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murilo de Andrade, o número não altera a posição dos sindicatos em defender ou não a filiação de não diplomados. “É bom lembrar que já temos um estoque de quase 15 mil precários, por liminar. Esse novo número não altera a posição dos sindicatos em lutar pela regulamentação da profissão”, declarou.

Andrade acredita que o número de jornalistas sem graduação na área tende a crescer ainda mais. “Não me surpreende esse número, achei que até poderia ser maior. Tenho a impressão que irá crescer cada vez mais, porque o Ministério do Trabalho não tem critérios para o registro, basta estar vivo”, critica.

Sobre os direitos que esses novos jornalistas pretendem desfrutar, o presidente da Fenaj diz que a questão deve ser polêmica. “Os direitos desses jornalistas agora é problema do Congresso Nacional, digo da Câmara e do Senado. Eles que terão que saber o que fazer com esse estoque de jornalistas sem formação”, conclui.

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FENAJ e Sindicatos de Jornalistas convocaram
manifestações contra Gilmar Mendes

Na última sexta-feira, 23 de abril, o ministro Gilmar Mendes deixou a Presidência do STF. A FENAJ, os Sindicatos de Jornalistas e o GT Coordenação Nacional da Campanha em Defesa da Profissão programam manifestações de protesto com o lema “Já vai tarde!” e convocam a categoria a participar de mais um dia nacional em defesa da profissão e do Jornalismo.




“Desde 2008, enquanto Gilmar esteve à frente do STF, uma série de decisões tomadas deixaram claro que critérios técnicos foram preteridos em função de outros, no mínimo escusos”, registra a nota distribuída pelo GT Coordenação Nacional da Campanha em Defesa da Profissão às entidades, profissionais, professores e estudantes que apóiam o movimento. “Sob sua gestão, o Supremo também aboliu a Lei de Imprensa, transformando o Brasil no único país do mundo sem regulação para o setor. E além de dar declarações que extrapolavam suas atribuições, libertar o banqueiro Daniel Dantas e criminalizar os movimentos sociais, o presidente do STF foi o principal responsável pela derrubada da exigência do diploma para o exercício do jornalismo, em julgamento realizado em 17 de junho de 2009”, completa o documento.

Alguns sindicatos já anteciparam o que pretendiam fazer para comemorar a saída de Mendes da presidência do STF. O do município do Rio de Janeiro realizou um ato das 10 às 16h em frente à Igreja de São Jorge, no Campo de Santana, no centro da cidade. E a atração será um artista que ficará circulando na área com pernas de pau e um grande cartaz com os dizeres “Obrigado São Jorge! Gilmar Mendes já vai tarde! Campanha em defesa da profissão. Jornalista, só com diploma!”.

Já o Sindicato dos Jornalistas da Bahia orientou a categoria a protestar usando roupas pretas na sexta-feira. A entidade distribuiu nas redações e faculdades tarjas pretas e uma praguinha alusiva à saída do Ministro da Presidência do STF com o slogan “Gilmar Mendes, já vai tarde!”. E no Ceará o Sindicato dos Jornalistas programou manifestação para esta sexta-feira, às 13h, em frente ao Tribunal de Justiça em Fortaleza.

Em Pernambuco, o protesto foi durante o 13º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, às 10h, durante um Café Cultural no Salão Receptivo da Unicap, que sedia o evento.


RECAPITULANDO...

Comissão da PEC do diploma ainda
aguarda indicações para ser instalada

A Comissão Especial que analisará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restabelece o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão foi criada há mais de um mês. Entretanto, ainda aguarda indicações para ser instalada. Até o momento, PPS, DEM e PSDB não enviaram todos os nomes que devem compor a Comissão. Segundo a deputada federal, Rebecca Garcia (PP-AM), este é o único empecilho na tramitação da matéria.

"Mandamos cartas para os partidos pedindo urgência nas indicações. Nosso trabalho no momento é esse. Também sugerimos aos sindicatos que pressionem os partidos pela urgência na instalação da Comissão", explicou a deputada, que instalou a Frente Parlamentar da Câmara em defesa do diploma.

Para que os trabalhos sejam iniciados, a Comissão deverá contar com 18 deputados titulares e 18 suplentes. Ainda restam oito vagas como titulares e 11 como suplentes em aberto. Apesar de ser o autor da PEC, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) foi indicado pelo partido como suplente na Comissão.

A comissão vai avaliar o mérito da proposta. Caso seja aprovada, a PEC irá para votação em Plenário.

Confira os deputados indicados o momento:

Bloco PMDB/PT/PP/PR/PTB/PSC/PTC/PTdoB
Titulares: Carlos Abicalli - PT/MT
Colbert Martins - PMDB/BA
Fátima Bezerra - PT/RN
Francisco Praciano - PT/AM
Geraldo Resende - PMDB/MS
Hugo Leal - PSC/RJ
Paes Landim - PTB/PI
Rebecca Garcia - PP/AM
Uma vaga em aberto

Suplentes: Afonso Hamm - PP/RS
Dr. Rosinha - PT/PR
Luiz Couto - PT/PB
Lupércio Ramos - PMDB/AM
Paulo Pimenta - PT/RS
Rose de Freitas - PMDB/ES
Três vagas em aberto

Bloco PSDB/DEM/PPS

Titulares: Vic Pires Franco - DEM/PA
Quatro vagas em aberto

Suplentes:
Cinco vagas em aberto

Bloco PSB/PDT/PCdoB/PMN

Titulares: Lídice da Mata - PSB/BA
Wilson Picler - PDT/PR

Suplentes:
Manuela d'Ávila - PCdoB/RS
Uma vaga em aberto

PV
Uma vaga de titular e uma de suplente em aberto

PSOL
Uma vaga de titular e uma de suplente em aberto




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4 comentários:

  1. só aqui na minha cidade tem um monte. Todos sem diploma. engraçado que quem tem Diploma não exerce, talvez pelo inchaço causado pelos "furões". Vai valer a pena fazer faculdade de jornalismo?

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  2. Caros jornalistas, estudantes e leitores
    Bom eu acredito que a não necessidade de diploma para jornalistas é uma coisa boa.
    Sei que muitos de vocês discordam de mim, mais sugiro que vejam a coisa de outro ângulo. Existem outras profissões tão louváveis quanto à de jornalista que não exigem qualquer formação acadêmica, exemplos escritores, cantores e compositores etc., no entanto são profissões que possuem cursos acadêmicos, o que seria da literatura brasileira se exigisse diplomas de todos os escritores brasileiros, pensem um pouco, se Cora Coralina não pudesse escrever, nós não poderíamos ler seus maravilhosos poemas, e o que seria da literatura brasileira sem Paulo Coelho um dos maiores e mais conhecidos escritor brasileiro, que embora não tenha formação, feito curso de graduação para ser escritor tem uma cadeira na academia brasileira de letras e é regulamentado como escritor, e o que vocês pensão sobre Pixinguinha que foi uma dos mais renomados musicos de todo o Brasil ele não se formou como musico mais sem sombra de duvidas tinha talento, vou citar mais um exemplo o que dizer de Carlos Alberto Ferreira Braga, conhecido como Braguinha, o maior compositor brasileiro, reconhecido e renomado entrou para o livro dos records como a pessoa que mais compois musicas no mundo.
    Agora pergunto ao senhores oque faz de uma pessoa ser jornalista
    Para mim um jornalista (ou comunicador social ), é toda e qualquer pessoa comprometido com a verdade, que age de forma ética e responsável, que busca informar e relatar de forma honesta, fatos acontecimentos e sociais importantes, para toda a sociedade.
    Eu acredito que as universidades não formão o caráter.
    Por o fato da FENAJ (Federação nacional de Jornalistas) exigir um diploma universitário, para uma pessoa poder retirar a carteira nacional de jornalista, é extremamente absurda, abusiva e ilegal. Uma vez que segundo as leis brasileiras já não exigem mais diploma para o exercício da profissão de jornalista (comunicador social).
    Eu acredito que uma Entidade tão seria e ética como FENAJ (Federação nacional de Jornalistas) não deveria exigir diploma universitário de seus associados, e sim que todos os seus associados agissem com ética, honestidade e que estejam no exercício da profissão.
    Claro que um curso universitário é importante, porem não necessário. Um diploma ajuda mais não é tudo. E jamais uma graduação ira separar o mau do bom profissional.
    Pois eu penso que todos os jornalistas diplomados ou não, que querem estar regulamentado com a FENAJ (Federação nacional de Jornalistas) devem e querem agir legalmente, por isso buscam estar associado à tão respeitável órgão.
    Peço por favor, que vejam o fato por este ângulo.
    Atenciosamente Tiago Lima Fernandes

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  3. Caro Tiago. Você chegou no ponto interessante.
    A questão do diploma, NADA tem a ver com a questão da liberdade de expressão, mas justamente com a formação acadêmica a favor da legitimidade e do compromisso com a Informação. Em que o jornalista diplomado impede um poeta, um pensador, escrever o que dá na telha??? O buraco é muito mais embaixo.
    Sabemos que a profissão de jornalista tem um poder de denunciar e apurar fatos, muitas vezes comprometedores para os envolvidos em todos os tipos de corrupção. O jornalista é, em suma o olho atento da sociedade civil. Porém esse papel deve ser cumprido com senso crítico, com um código legítimo. Que não se aprende por aí em qualquer colégio de ensino fundamental. O código de ética jornalística não está tão acessível para todo cidadão que queira exercer seu papel de expressar opinião. As formas de expressão devem ser livres, mas o Jornalista, diferente do Escritor, Compositor, não tem como papel principal, somente criticar, mas também cabe ao Jornalista investigar, apurar, denunciar e legitimar os casos com fatos, não com a poesia ou o discurso intelectualóide de uma Entidade. O jornalismo é uma profissão como outra qualquer, sim, mas tem elementos que merecem continuar apoiados pela legitimidade acadêmica.
    É O MÍNIMO.
    Não posso diante de um argumento fraco e extremamente defensor de interesses próprios, ou seja, tendencioso de "liberdade de expressão" - usado na época pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes. Enfim, não posso ficar diante desse retrocesso achando que é justo, porque quem sofrerá as consequências desse equívoco, não é só a classe jornalística, mas também, toda sociedade, que terá uma escola jornalística no melhor "estilo cubano". Fraca, influenciável, mais tendenciosa e duvidosa do que nunca.
    O jornalismo tem, junto com os expressionistas, o poder diante do Comando Delta, o que nos faz pensar no contrário:
    Vela-se o real motivo com o argumento da Liberdade, sendo que na verdade há uma espécie de Censura, através da banalização acadêmica. Os cursos caem em desuso. A sociedade corre o risco de passar a considerar qualquer posição política uma verdade absoluta... E fatalmente cria-se uma teia sem fim de descaso. PENSE NISSO.

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  4. Facilidade em escrever, boa fluência verbal, excelente domínio da língua culta, criatividade, dinamismo, profunda afeição pela leitura, olhar crítico, comprometimento com a verdade... Penso que descrevi um excelente jornalista,não? Contudo, também estou certa de que essas características não são plenamente desenvolvidas em nossas faculdades.
    Concordo com aqueles que defendem a obrigatoriedade do diploma, mas também concordo com aqueles que pensam que só um canudo não basta.
    Penso que um bom jornalista se faz muito mais pela experiência e por habilidades que não se desenvolvem apenas em salas de aula. Valorizo sim,e muito, a formação acadêmica. O diploma é importante, interessante e relevante, mas não é essencial.
    Se é possível tornar-se jornalista sem um diploma, cabe às empresas não admitir jornalistas não-formados.
    Apelo agora para o bom senso de todos.Existem jornalistas e jornalistas... As Sagradas Escrituras afirmam que o trigo e o joio crescem juntos, mas serão conhecidos por meio de seus frutos.Assim também, independente da formação, há jornalistas excelentes, éticos e compromissados e aqueles que, sequer, merecem esse título. Só existe um meio de distingui-los: se pelos frutos,separam-se joio e trigo, pelas palavras se definirão os jornalistas.

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