terça-feira, maio 11, 2010

LA MISSION - O Filme

:: Dica de Filme ::

LA MISSION - O Filme
Um olhar hispânico do bairro multicultural de San Francisco
(L.A.)


Segue a crítica de Micki Mihich postada em seu Blog "Coisas Soltas em New York" dia 12 de abril..


"La Mission" é um filme que mistura vários gêneros e serve a vários públicos. Não é um filme de gangues, mas vai agradar a quem gosta deste tipo de filme (há rivalidades, tiroteios e brigas o suficiente; o personagem principal é ex-presidiário). Não é um filme latino, mas vai agradar a quem é e curte ser (se passa na comunidade e grande parte dos personagens é latina). Não é um filme indígena, mas os índios e simpatizantes irão gostar (o filme mostra muito respeito às tradições indígenas).
Não é um filme gay, mas vai agradar à comunidade GLS também (é a história da luta de um filho gay para ser aceito pelo pai machão). Não é um filme sobre carros, mas vai agradar a quem curte veículos envenenados (o personagem principal tem como hobby colecionar carros antigos e reformá-los com os amigos). Não é um filme feminista, mas as mulheres também apreciarão o filme (um dos personagens principais é uma mulher que teve problemas com homens abusivos no passado, ajuda mulheres com este problema e luta contra o desejo de se envolver com um homem que pode ser potencialmente abusivo).







A história é rodeada por Che (Benjamin Bratt), um latino-indígena do bairro "Mission" ("La Mission" para os hispanos) de San Francisco, todo tatuado, pavio curto, doido por carros customizados, ex-membro de gangue, ex-alcoólatra, ex-prisioneiro. Um belo dia, ele descobre que o filho é gay... E o namorado do filho é branco, e mauricinho. Ou seja, além do problema sexual, há o lance de raça e classe social. Desta forma, o sujeito, que era uma bomba se segurando para não explodir, tem o seu pavio aceso...


O filme é dirigido pelo irmão do ator principal, Peter Bratt. Os irmãos Bratt possuem uma história interessante: a mãe deles é uma índia peruana conhecida nos Estados Unidos por ser uma grande ativista, tendo sido parte integrante da ocupação da ilha de Alcatraz em 1969 e da manifestação de Wounded Knee em 1973. Desta forma, eles cresceram com esta mentalidade revolucionária.
Benjamin Bratt já atuou em todo tipo de filmes, de "O Amor Em Tempos de Cólera" a "Traffic", de "Miss Simpatia" a "Perigo Real e Imediato", entre outros. Na TV, é conhecido como o detetive Rey Curtis de "Law & Order" e o astro da série "The Cleaner", da qual também é produtor.
No filme também está Talisa Soto, a esposa de Benjamin na vida real, só que fazendo o papel de sua cunhada (o personagem no filme é viúvo e cria o filho sozinho). Talisa já foi top model internacional, Bond Girl ("007 - Permissão Para Matar") e atuou em filmes de sucesso comercial como "Os Reis do Mambo", "Don Juan de Marco", os dois "Mortal Kombat", entre outros.

Os irmãos Bratt e Talisa Soto na pré-estreia, com discussão após a sessão especial, no Museu Smithsonian de Nova York.

"Há violência no filme porque retratamos o que ocorre na realidade. Este é um país que cultiva a violência, sempre cultivou, desde o passado, e esta violência agora se espalhou pelo planeta." - comentou o diretor Peter Bratt.

O filme é o primeiro da produtora 5 Stick Films (dos irmãos Bratt e da produtora Alpita Patel), dedicada a realizar filmes de conscientização com qualidade e apelo globais e também descobrir novos talentos. Segundo o diretor, ele acredita no poder transformador das histórias e por isso luta para encorajar os jovens a contar as deles.


Título do filme no Brasil pode ter adaptação duvidosa

Segundo informações recebidas por Micki Mihich, "La Mission" receberá no Brasil o título de "Missão L.A.". Ele espera que isto não seja verdade.



Em primeiro lugar, porque de acordo com Micki, o filme não se passa em L.A. (Los Angeles), mas em San Francisco que, apesar de também ser uma cidade californiana, fica a 6 horas de carro (mesma distância de São Paulo ao Rio de Janeiro!).
Em segundo lugar, "La Mission" é um bairro característico de San Francisco, onde os envolvidos cresceram e cujas histórias ouvidas inspiraram vários personagens do filme.
Terceiro, o "La" do título não é "L.A." de Los Angeles (não há pontos abreviativos), mas o artigo feminino singular que em português ficaria "A" ("A Missão"; o nome do bairro se refere às missões espanholas da época da fundação da cidade).



Ou seja, segundo Micki, se o filme se chamar "Missão L.A." será não apenas um erro conceitual como também multicultural (histórico, lingüístico e geográfico) e prova de ignorância do distribuidor brasileiro. Micki fala com ganho de causa, porque por anos ele adaptou títulos de filmes para o português. E alerta que antes de fazê-lo, deve-se assistir o filme, ler todo o material, fazer pesquisa. E também estes devem ser adaptados APENAS quando o título original, em sua tradução literal, será contraprodutivo para o marketing do filme.


Segue o trailer de "La Mission":








Enquanto "La Mission" não chega ao Brasil, podemos conferir mais detalhes
no site oficial - LA MISSION - THE MOVIE.


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PS.: Valeu a sugestão, meu amigo Marco D'Oliveira (San Francisco - CA) ^^

2 comentários:

  1. Natali, La Chica Rechoncha11 de maio de 2010 16:51

    Nossa, tudo q gosto. Que dica maravilhosaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Beijus amiga, vc sempre ótima.

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  2. maravilha.... você sempre altamente antenada com a cultura!!! e isso nos faz crer cada vez mais, que sem a cultura em nossas vidas, fica tudo impossível de entender o grande barato... amo cinema, amo música...
    beijos,
    Marcø D'Øliveira®
    San Francisco, CA, U.S.A.
    olivmarcoa@gmail.com

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