quinta-feira, dezembro 30, 2010

1ª Invasão Cultural no Complexo do Alemão


:: Resenha ::

Invasão Cultural: Uma via de várias mãos

  • Por Monique Barcellos
Na última quinta-feira, dia 16 de dezembro, o Coletivo ComandoSelva 22, em parceria com o Instituto Raízes em Movimento, realizou uma manifestação pacífica no Complexo do Alemão - RJ, a 1ª Invasão Cultural. Com roda de rima, exposição de fotos, graffiti, estêncil, música, com atividades simultâneas de grupos voluntários: Corpoético, Coletivo Kinóia, Coletivo Tecnocolor (Tempografia), Epifania, Integrantes da Orquestra Voadora, Teatro de Operações, Roda de Rima (CCRP), Exposição de Fotos (Tehuly Rezende), Telas em Estêncil (Coletivo TH420 e NATA), e Dança (Maracatu) e Poesia (Monique Barcelos). Teve o apoio de Benex, Amálgama e Familia Conjuntivite.

Agora imagine todos esses grupos se reunindo em um cenário tão comentado este ano na mídia como um palco de terror, perigo, e turbulências. Será um milagre, uma utopia, uma loucura? Não, meus amigos. Foi uma manifestação de artistas que acreditam que a favela quer cultura, quer paz, quer cidadania, respeito. Que o Rio de Janeiro e, especialmente a favela merece dias de sol, de crianças sorrindo, adultos festejando, em confraternização.

.: Entrevista - Black Alien (2010) :.

12.10.2010

:: Exclusivo ::



O MARACANÃ DO SURF
RECEBE O ARTILHEIRO DA RIMA

Por Monique Barcellos

GUSTAVO BLACK ALIEN FAZ UMA TRIP PARA SAQUAREMA ENTRE SHOWS E A PRODUÇÃO DE “BABYLON BY GUS VOLUME 2 – A ÁGUA: MISTÉRIO IN STEREO”

O cara foi skatista amador, pega onda desde os 9 anos de idade, queria ser skatista profissional, só que a música o levou para outros rumos, basicamente, por influência do Public Enemy. Passou por uma das maiores bandas de Rap Core do Rio de Janeiro e do Brasil nos anos 90: Planet Hemp. Fez parte da primeira dupla de MCs de Niterói,  (Banda SpeedFreakS, que mais tarde virou Black Alien & Speed). Ele chegou a se autodenominar “Mr. Niterói”, e hoje está um pouco mais relax com essa coisa de alter ego. Gustavo "Black Alien" é um cara cheio de manias, porém atento às voltas que o mundo dá. (Fotos: Barrinha/ Itaúna- Saquarema - RJ).


 
 "Voltar a andar de skate tá me dando minha autoestima de volta, devagarinho." (Black Alien)



BUSCA POR NOVOS RUMOS

 
A entrevista aconteceu durante a Seletiva Petrobrás de Surf Masculino, dia 16 de setembro. No meio de um bate-papo, entre amigos, em uma pousadinha “secret point”, só da galera do surf e da malhação, com muita risada, rock’n roll no violão e relax na bagagem. Saquarema não poderia estar melhor! Campeonato de Surf rolando, altas ondas, muito Sol e novas energias.
Atualmente Black Alien segue preparando o segundo disco solo, com muitas surpresas. Comenta produções e participações em “Babylon By Gus Volume 2 - A Água: Mistério In Stereo”, com lançamento parcial previsto para Dezembro. Gustavo Black voltou a andar de skate, a curtir os eventos Expression Session. E também ganhou uma prancha de presente de um amigo, resumindo: está de volta nesse universo. É um big rider da música no Brasil e também considerado um grande talento pelo mundo. Este ano ele abriu dois grandes shows de artistas internacionais pelo Brasil: Do cantor jamaicano Eek-A-Mouse e do rapper americano 50 Cent.
Nesse clima, o “Maracanã do Surf” recebe o Artilheiro da Rima. Os assuntos mais trágicos tiveram um tom menos pesado, até reconfortante. Os assuntos alegres tiveram clima de amizade e besteirol. Confiram as manobras radicais dessa entrevista com Black Alien, no melhor pico Paz e Amor!



ENTREVISTA – BLACK ALIEN

Monique Barcellos – Na nossa primeira entrevista, feita em 2006 (Programa SOM DE RUA), você afirmou que pega onda desde os 9 anos de idade, queria ser skatista profissional, só que a música te levou para outros rumos, basicamente, por influência do Public Enemy..

Black Alien – Ué, mas na época quando você me perguntou da música eu te respondi que era por causa do Public Enemy mesmo? Caramba, então, pô eu não sou caô não, né. Nem pra mim mesmo. Porque, tipo, tem umas entrevistas aí que eu to relendo ultimamente, por causa de disco novo - a gente vai dando umas relidas, e tal – e a resposta cai sempre a mesma: Public Enemy. Legal... Então não tô mentindo nem pra myself, né, tô indo bem. Então tô mentindo só pra vocês! Há-há-há-há!

MB – (Risos) Ultimamente você voltou a andar de skate. O que fica de influência do skate na sua vida?

BA – Falando sério agora. Voltar a andar de skate tá me dando minha autoestima de volta, devagarinho. Eu tava sem disciplina pro trabalho, pra escrever, tava bebendo um pouco demais, e tal. Voltei a andar de skate porque um amigo meu ficou indignado de chegar lá em casa e ver que tinha teia de aranha no meu skate. Então eu voltei a andar assim, na pressão dos amigos do bem. E passei a andar de skate, de madrugada, descer as ladeiras perto de casa, em Niterói, os picos que eu ando desde moleque, sozinho mesmo. Às vezes com um amigo de carro escoltando. Começando a de repente perder peso, ganhar peso.. Passei a fazer menos balada, até porque tá gastando aquela energia física, e tal... E pegando a autoestima de volta, quer dizer, começando a melhorar fisicamente.

MB – E como isso está se refletindo na sua música? Também está refletindo de outra forma?

BA – Tá refletindo de uma forma diferente, assim... Os versos estão vindo mais condensados. Eu tenho muita coisa acumulada de verso, muita coisa mesmo! Que eu já tenho há muito tempo, assim. E... (Black Alien levanta e desliga a TV).

MB – A entrevista não vai sair em áudio, vai sair escrita...

BA – I’m no television set, and I’m no television crazy. So, kill your television. (Bom, ela não vai ser revolucionada mesmo...). Bom, continuando: eu acho que tem muito material já, não tem nada que ser escrito. Tudo que eu tenho que fazer - como eu já venho fazendo - é focar, colocar no papel e gravar, o que eu já tenho feito. Tenho metade do disco pronto... Só que eu tô mais focado no rock’n roll, em aprender instrumentos musicais, em aprender o que é nota musical, o que é Fá, o que é Ré, o que é Dó, o que é Si, o que é Mi. Pra poder dialogar com gente que entende de música de verdade, aprender o que é música brasileira, que eu não sei praticamente nada. Enfim, perder o pré-conceito com outros estilos musicais, e entender mais amplamente a música, que é uma coisa muito mais ampla do que o Hip Hop, do que o Rap... Que é um gênero mais... Assim, vamos dizer... Caçula do mundo, né, cara. Porque o Rap nasceu nos anos 70, então vamos dizer que é o gênero mais caçula que tem. Eu tô tentando ficar mais humilde, baixar minha bola, resumindo (Risos).

MB - Falando de influências para compor as letras, você afirmou que se inspira em filmes de máfia para fazer música, que 90% das suas letras vêm de filme. Influência pra fazer som ainda vem de filme?

BA - Os mandamentos de Don Vito Corleone, né cara, que é um personagem de ficção, mas que é baseado em muitos mafiosos que não precisam ser italianos, né. A gente tem “Vitos Corleones” aqui no Brasil, e tal. São coisas que já estão encalacradas, são coisas que eu já aprendi, são anos que eu já passei, entendeu? Já tirei férias, com honra ao mérito. E filmes de samurai, que eu gosto muito também, a gente tá sempre aprendendo. Com esse negócio de skate... Tô vendo muito filme de surf, e vendo também que é um tipo de máfia. E ser skatista é ser meio samurai. E ser surfista é ser meio samurai também, tá ligado? Você é meio caminho do samurai, é meio que por aí. Hustler TV também tá punk! (Risos). Ah, gosto muito da TV Senado, por incrível que pareça (Risos). Vejo geral de tarde ali, igual um maluco, igual um velhinho aposentado...

MB – Na variedade de temas das letras, como política, ficção, rua, além de letras de amor... Por acaso existe entre esses temas, o que você se sinta mais à vontade e o que você sinta uma necessidade de abordar?

BA – Boa pergunta. Eu acho que se sentir à vontade de falar... Eu acho que é normalmente só besteira. Normalmente o que eu me sinto à vontade de falar é o que eu quero falar na hora, não tem necessariamente um tema. E normalmente é um pouco disso aí tudo, assim.

Agora necessidade de falar é política, por uma questão de indignação. Por uma questão de você ter acesso a uma informação que o povo brasileiro não tem. Porque você vê o povo levando na cabeça e, às vezes até agradecendo. Então eu fico angustiado e aquilo me dá uma necessidade de falar. De amor... Eu não tenho uma necessidade de falar... Eu acho bom falar, assim, dá prazer falar. É diferente. Vamos dizer que dá tesão falar. Dá prazer.

E o outro dá como se fosse “Eu tenho que falar”, de política, como se fosse um missão. Amor também acaba, de certa forma, virando “Eu tenho que falar”, porque o mundo precisa de amor também. (Risos) É bem louco o negócio...

MB - Seu disco novo está em fase de produção. É considerado por muitos, uma das obras mais aguardadas da cena independente, com previsão de lançamento para dezembro deste ano. O título ainda é “Babylon By Gus Volume 2 – A Água: Mistério In Stereo”?

BA – Ainda é, cara. Só que vem com 6 faixas agora. Porque... Hum... Vou até rimar: Vem com 6 faixas agora, porque senão minha úlcera “estóra”. É... (Risos). Então são 6 faixas assim, bem bonitas, a gente escolheu bem, fizemos com muito carinho. Duas falam de surf e skate, uma fala de política e 3 falam de amor. Então essas 6 faixas saem no dia 1º de dezembro. E saem sem “Identidade” e “Homem de Família”, que já estão no site, no Myspace e tal. Essas faixas a gente talvez lance quando tiver um disco grande, ou não... E as outras 6 faixas a gente pretende lançar meio que, no início do Carnaval.

MB – E a segunda parte, essas do Carnaval, é o mesmo título, tudo? É uma continuação...
BA – “BABYLON BY GUS VOLUME 2 – A ÁGUA”, mas não é “Mistério In Stereo”. Talvez seja “Planeta Cocô”... Porque “A ÁGUA”... Bom, minha sobrinha, os filhos dos meus amigos todos adoraram o título. Porque o disco é pras crianças, né. Como sempre.

MB – E o processo de gravação, tem participações? Como tá?

BA – Dessa vez eu quero chamar gente que rima – que no outro não teve ninguém que rimou nem cantou. Todas as vozes do disco anterior fui eu que fiz. Só teve um verso que eu dividi com um falecido amigo, Carlos Caetano. Nesse disco quero dividir versos com MCs, compositores e letristas que eu gosto. Agora, são pouquíssimos também, porque tem muita coisa pra falar. E eu quero vozes femininas, e quero corais de crianças. E isso tudo, na verdade, já foi de certa forma gravado. Quero muita criança no disco, porque como eu disse: o disco é pra criança e eu quero evidenciar isso um pouco mais e... Os mesmos amigos, praticamente todos do disco anterior, Pupilo (Nação Zumbi), Bi Ribeiro (Paralamas), Bidu Cordeiro (Paralamas)... Mais gente, cara...


MB – Bnegão??

BA – Bnegão, cara, o Bernardo... É porque a gente é tão irmão, mas tão irmão, é um coisa tão óbvia... Uma coisa tão univitelina, que é só quando chegar a hora. Entendeu? Mas a gente não tem nada marcado. Agora tem pessoas que vão cantar no disco. O Kamau, um MC de São Paulo que anda de skate, que é meu camarada vai cantar. O Manu Chao vai cantar. E pessoas que ainda não fechei, que eu não posso falar... E vozes femininas, e corais de crianças, isso aí com certeza.

MB - Em maio você disponibilizou três faixas na Internet (Myspace). No caso, você disponibilizou, mas não teve lance de download. Qual a sua visão na questão de downloads?

BA – É. Não teve lance de download. Sabe por quê? Eu acho o seguinte: é bom você ganhar dinheiro no show... E você não ganhar dinheiro pela música? Porque dá um trabalho du caralho, você faz aquilo com muito carinho, você trabalha, compõe, pensa. Você enfrenta um papel em branco e constrói um poesia em cima daquilo ali, em prol do bem das coisas. Porque se eu quisesse dinheiro eu teria outro emprego, e não emprego de poeta, nem de MC. Seria empresário, político, ou qualquer outra merda, né. Mas o negócio é o seguinte: as músicas não estão disponibilizadas pra download porque elas não estão prontas, então às vezes eu acho que minha voz tá ruim, o Basa (produtor musical Alexandre Basa) acha que o piano tá ruim... A gente é perfeccionista e acha que não é pra baixar desse jeito. Mas tá tranqüilo, assim que tiver do jeito que vocês merecem ouvir, artisticamente, vai tá lá... Pode pegar à vontade, POR FAVOR, aliás.

MB – E essa idéia da base da “Sua Cara Encontra a Mão”, que vocês fizeram outra base, uma base diferente, né...Como é que foi a história (Risos)?

BA – É porque eu vi o filme (Risos), o filme do Biggy (Notorious B.I.G.). Eu não tinha visto. E o Biggy morreu numa treta com Tupac, né. São dois ídolos que gente perdeu, são dois gênios, aliás. Um com 24 anos e o outro com 25... Porque, coisas que armaram pra eles, que um falou, que o outro falou, e tal. E, porque eu vi o filme do Biggy e chorei muito durante o filme... Pô, cinco negão, cheio de barba, cueca aparecendo, um bando de dreadlock, chorando igual um bando de bebê, naquele filme do Notorious B.I.G. E aí, no dia seguinte a gente fez um remix da música “Sua Cara Encontra a Mão”, só que, homenageando Tupac Amaru Shakur. Um remix com pianos Califórnia e com os arranjos Califórnia ali, depois que vimos um filme do Biggy, então a gente quis dizer: “Pô, que porra é essa, amigo?”, entendeu?
“Que história é essa, que vem de cá, vem de lá, que caozada é essa?”, né. Então tá aí o remix aí “Sua Cara Encontra a Mão (Amaru Shakur - Special Remix)”, much pride! É isso.

MB – Então, agora a gente vai entrar num assunto um pouco menos ameno... Vamo lá. Há alguns meses, mais precisamente...

BA – Boa.

MB – Na madrugada de 27 de março (Sábado)... Toda classe artística e os fãs de Speed, se vêem abalados com sua morte brutal. Vocês formaram a primeira dupla de Rap de Niterói. Você cuida para que o emocional não afete suas produções... Ou é inevitável...?

BA – (Longo suspiro) ... O disco estava em plena produção quando isso aconteceu. E o disco só tá voltando à produção há um mês atrás, porque agora é que isso foi absorvido... Então abril maio, junho, julho, agosto. Cinco meses pra isso ser absorvido e... E absorvido de várias maneiras... E... Agora as coisas estão voltando ao normal, de uma forma esquisita ainda, mas, tá todo mundo ainda meio... Meio... Sei lá...

MB - Abalado...

BA – É.

MB – E você gostaria de deixar algum comentário, alguma recordação, que represente essa história, com o Rap Nacional, como dupla...

BA – Bom, Rap Nacional, não sei. Mas eu acho que Rap Nacional e uma parada... Micro, em relação ao músico, ao gênio musical que a gente perdeu. Uma personalidade... Esquizofrênica, talvez, mas um GÊNIO musical. De uma genialidade musical infinita, a gente perdeu. Foi uma perda como a casa do Hélio Oiticica ter pegado fogo ali...

MB – E gostaria de deixar alguma passagem, alguma coisa que remeta diretamente, ao fato: “Pô, esse cara... Isso faz ele ser ele!” entendeu?

BA - Ele costumava dizer que... Bom: “Pelo meu som, eu saio na porrada!”.

MB – E depois do ocorrido, você, Bnegão e Marcelo D2 se reuniram no palco do Circo Voador...?

BA – Não, eu só subi lá porque me chamaram e disseram que eles dois tavam no palco. E como eles dois não se falavam há 5 anos eu fui lá no palco, chamei os dois num canto, e disse que se os dois viados saíssem na porrada, eu ia meter a porrada nos dois. Eu só fui lá pra os dois não saírem no tapa, igual duas bichas. Só fui lá pra cuidar deles.

MB – Só que a partir daí surgiram mais especulações sobre a volta do Planet Hemp, além das mobilizações de fãs pela Internet, falando “Volta Planet, volta Planet! (Risos). Os caras se reuniram no Circo, vai ter show do Planet!”... O que você pode, pela sua visão, interar ao público sobre esse assunto? Porque criou muito barulho na galera, por causa dessa reunião...

BA – Isso tudo... Isso tudo é dinheiro, tudo no final é dinheiro. Toda turnê de volta, sempre no final é dinheiro, como Sex Pistols, como qualquer coisa. E isso é ótimo, ou não. Mas vem um filme sobre a história do Skunk por aí, por exemplo. E eu acho que pode ser que tenha alguns shows do Planet de volta de novo ou não. Uma curta turnê de volta ou não, meio que junto com o filme ou não, antes ou depois... Assim, mas isso ninguém tem certeza, isso tem que ser conversado com todo mundo.

MB – Da sua parte...

BA – Reunir... Da minha parte eu... O que eu posso dizer...
É uma coisa que pra mim foi uma época muito feliz, assim! É... (Gargalhadas)

MB – Parabééaans! (Gargalhadas)

BA – (Risos) Entendeu? Pra mim foi ótimo! Seria muito bom reviver isso e ver um bando de maluco com os dreadlock grisalho, entendeu? É... (Risos) com aquela mesma camisa cheia de buraco escrito “Planet Hemp” lá...

MB – Pulando com mais 20 quilos, né...

BA – É, com os filhos de mão dada, aliás, com a carteira falsificada lá dentro, cantando os mesmos refrões, eu acho que seria uma maravilha. Mas, eu gosto de tocar muitas músicas do Planet. Eu, o Zé (DJ Zegon) e o Bernardo, a gente tem um show chamado RE-UNIÃO, e que o Zé Gonzales abre, com o set dele que é matador. Bernardo canta o show dele, eu entro cantando meu show... E no meio do meu show Bernardo entra e canta no meu show comigo, e ficamos nós três. (Foto: Myspace Black Alien). E algumas do Planet a gente canta, a gente vê as pessoas entrando praticamente em transe, e a gente também meio que entra em transe, assim. Mas isso não é a banda, isso não tem Rafael, não tem Formigão, não tem Marcelo (D2). Então não sei se com Marcelo, com a banda vai ter esse transe, como é que vai ser isso aí, mas... Mas toda turnê, essas coisas (Risos) assim, a gente nunca sabe o que vai dar... Mas eu espero que, se tiver, que dê tudo certo.

MB – Se tiver você tá dentro então...

BA – Olha, eu acho que... Eu acho que se tiver, eu não sei... (Risos)

MB – (Risos) Então, a gente tá produzindo essa entrevista em Saquarema, Capital Nacional do Surf. Trabalhando e, ao mesmo tempo você está tendo oportunidade de sair um pouco do turbilhão, das suas paradas...

BA – Agora tá dando pra voltar um pouquinho... Né?

MB – É! ... E curtir as ondas, fazer role de skate, podendo se divertir um pouco no meio desse tsunami... Gostaria de deixar considerações finais sob essa ótica? O momento hoje, em Saquá? O momento presente. Presente e sorridente.

BA – É muito bom peidar, rir com os amigos, ficar quietinho, no sapatinho, tipo... Tocar violão, comer pizza com a mão, rir, ligar televisão... Desligar, tomar um choque no chuveiro. Ver um campeonato de surf e ficar incógnito de vez em quando... Comprar uma cervejinha ali no botequim com as vassouras penduradas no teto, morô? Descansar um pouco a alma dessa Babilônia que é qualquer coisa que envolve dinheiro. Música no final, sempre envolve dinheiro também. E lembrar quem sou eu também. Porque minha vida ás vezes foi outra, entendeu? Minha vida foi acordar de manhã, pegar onda, chegar em casa almoçar, dormir um pouco, pegar o final de tarde, pegar onda de novo, tomar duas caipfrutas, entendeu? E dormir... Acordar de manhã a mesma coisa... E agora, pô! Só tomo banho de lua... Então de vez em quando é bom tá aqui em Saquarema e é isso. Ficar na minha, cada um ficar na sua. Valeu! Paz!

MB – Mais alguma coisa?

BA – Acho que não, chama Raul pra tocar um violão! (Risos)

***

:: Contato ::
Myspace - Black Alien


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:: Entrevista - Lei Di Dai (SP) ::

:: Entrevista ::
Positividades na Pista e na Vida
Essa é a lei da cantora Lei Di Dai
Por Monique Barcellos

Figura mais do que respeitada, tanto nas festas de Ragga / Dancehall de São Paulo, como nas ruas, Daiane cresceu e vive com muita satisfação na Vila Ré, Zona Leste paulistana, influenciada pela música e guiada por Jah! Lei Di Dai (Apelido que adotou em homenagem à cantora americana Diana Ross) é considerada a “Rainha do Dancehall no Brasil”. Uma mulher de Sampa, do gueto, do Reggae... Uma mulher de negócios, que tem o prestígio nas festas de Ragga pela noite paulistana, pelas calçadas e SESCs. A cantora, que tem raiz, talento e carisma de sobra. Também tem seu trabalho, tem sua música reconhecida internacionalmente. 

"O som jamaicano vem com boas vibrações, isso me faz ser quem eu sou." (Lei Di Dai)


              Lei Di Dai / Divulgação
Ao lado de grandes nomes do Dancehall Mundial (Bounty Killa, Killa Queenz, Lady Chann, Capleton e Lexie Lee) Lei Di Dai fortaleceu a cena Ragga / Dancehall No Brasil com seu som na coletânea dos caras de Los Angeles (South Rakkas Crew). Lei Di Dai foi considerada a “Rainha do Dancehall Brasileiro” pela revista Rolling Stone em 2006 e, em 2008 lançou um disco de forma independente (“Alpha & Ômega – 2008). Com a vibe positiva dos amigos, fãs e um trabalho de qualidade, o disco é o mais vendido do gênero no Brasil. Uma das pioneiras no Brasil, Lei Di Dai acaba de gravar o DVD "Mixtape Dancehall Ragga", com lançamento previsto para 2011 e adianta detalhes desse e de outros projetos. Confira a entrevista exclusiva!





DANCEHALL PELO MUNDO - Todas as gerações do Reggae e os estilos conversam muito bem entre si. Mas o Dancehall/Ragga pode se dizer o mais irreverente e versátil de todos. Estilo inicialmente mais distante dos temas políticos e religiosos do Reggae, o Ragga/Dancehall surge no final dos anos 70... (leia mais)








(Divulgação: Lei Di Dai e banda QG Imperial)


 Do lado de cá, Lei Di Dai vem com tudo e aposta no Dancehall com a cara do Brasil.


REPRESENTANDO A MULHER NO MICROFONE

Lei Di Dai já contagiou plateias e programas de TV pelo Brasil. Tudo com desenvoltura de quem é sua própria empresária, assessora de imprensa, secretária. Lei Di Dai cria música e estrutura próprias, consegue eliminar as burocracias com a mesma desenvoltura com que compõe as letras, que se deixa envolver pelos riddims
Seus shows têm geralmente a parceria com banda QG Imperial (Foto anterior - Danilo - baixo, Jah Faya - bateria, Lei Di Dai - vocal, Lucas - teclado e Daniel - guitarra) e o trabalho teve apoio da marca Guns SkateBoards, até 2009, quando produziu seu primeiro CD. Agora com a gravação de DVD, ela conta com outros apoiadores em grande estilo. Hoje Lei Di Dai conta as marcas Santo Angelo e UltraEco.



Em qualquer situação, em qualquer base, essa guerreira vem conquistando o espaço. Um espaço da cena Reggae atual, antes dominado em grande parte por homens, já que, na maioria das festas encontramos mulheres como rainhas da dança (apelidadas de Punnanny e Dancehall Queen). O microfone ainda é para poucas. Mas isso vem mudando gradualmente, com certeza com talento e o empurrão positivo de Lei Di Dai.

                                                                                                                                            Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali 

A entrevista a seguir revela um pouco do estilo de vida de uma das cantoras mais influentes da cena reggae atual. A cantora participou recentemente de um evento somente com atrações femininas. A festa RAGGA DANCEHALL contou com várias MCs/Deejays abrilhantando a cena independente de São Paulo. Acabou de gravar o DVD “Mixtape Dancehall Ragga”, no espaço Matilha Cultural, com o lançamento previsto para 2011. A guerreira é nossa entrevistada e adianta também algumas participações desse e de outros projetos, sempre levando positividades por onde passa com sua musicalidade e negritude. Puro Fya!      


Entrevista - LEI DI DAI

Monique Barcellos - Uma das primeiras influências musicais (segundo entrevistas anteriores) foram as rodas de samba no bar dos seus pais, na Zona Leste de São Paulo. Quando você decidiu seguir a carreira de cantora e quem ou o que foi seu maior incentivo?
Lei Di Dai - Sim, cresci em um ambiente totalmente musical, a maior incentivadora é minha avó, que sempre me apoiou e investiu na minha carreira. Aos 20 anos decidi só cantar e encarar os desafios da música.

MB - Entre as características do reggae, do som de pista (DANCEHALL) nas suas músicas, você expõe muita personalidade e otimismo nas suas letras, a vibe positiva, resistência, negritude.  Essa atitude positiva vem do reggae ou vem de berço?
LD - Vem de berço, que sempre foi balançado pelo "reggae", meu pai era um grande ouvinte de reggae e boa música e me ensinou sempre encarar a vida na positividade. Porque tudo pode ser melhor se você encarar com otimismo, verdade e viver feliz!!!!

MB - Como o reggae entrou na sua vida? Quais são as suas maiores influências musicais no Brasil e na gringa?
LD - Reggae é vida! Minhas influências são muitas, gosto de música com sentimento, batidas africanas e boas mensagens. 

MB - Você é conhecida por sua voz poderosa e pela vibe dançante nas suas músicas. Como surgiu a parceria com a marca Guns Skateboard?
LD - São Paulo é pura energia de encontros certos na hora certa e foi isso que rolou, estava de role na galeria 24 de maio. Encontrei o Indinho da Mission que me apresentou o Alberto da Guns e ele me perguntou sobre o cd.  Eu falei que ainda não tinha lançando porque precisava de apoio cultural e como o Alberto já tinha ouvido falar do meu som, sugeriu a parceria de um tenis Rasta by Lei Di Dai. Com as vendas do tênis e mais o apoio de Fauzi Beydon (tribo de jah), lancei o "Alpha & Omega" o mais vendido do gênero graças a Jah!

MB - Seus trabalhos têm uma grande influência na cena reggae de São Paulo, do Brasil . Ao mesmo tempo, São Paulo - assim como na maior parte das cidades - tem “muita Babilônia”: tudo envolve dinheiro e rótulos sociais. Como você administra sua música no seu dia-a-dia. O conteúdo que você passa nas letras é um alerta, ou é o que acontece com a Lei di Dai no cotidiano?

Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali





Lei Di Dai nos bastidores: Concentração antes do show.


LD - Acontece mesmo, é realidade, ser preta, mulher da periferia e conseguir em grande estilo tacar fogo na Babilônia é fantástico! Porque a Babilônia é mental, as pessoas são cheias de conflitos e ambições, por isso mantenho o equilíbrio e faço as coisas acontecerem na boa vibração, fazendo a diferença sem me entregar à Babilônia e Ragga neles.


MB - QG Imperial é uma banda de apoio super respeitada na cena reggae de São Paulo e que também tem grande importância no seu trabalho. Como surgiu essa união?
LD - Em 2006 a união foi natural, eles foram muito importantes no início da minha carreira solo, nos conhecemos há muito tempo e temos uma afinidade musical gigantesca.

MB - Em 2008 você lançou o disco "Alpha & Omega", o mais vendido do gênero. Você acredita que essa diversidade de ritmos no seu disco e a aceitação desse formato é um sinal de que a cena reggae do Brasil pode inovar, arriscar mais?
LD - Aqui no Brasil tem várias bandas bem tradicionais, o "Reggae Nacional". Eu fugi dessa linha de reggae e fui direto a fonte... Jamaica!!!  Inovação mesmo. Popularizar o "Dancehall" que é a evolução do Reggae... Trazer o Dub, Rub - A - Dub, New Roots, pro povão mesmo. Aqui no país a galera gosta de dançar e se divertir. Então pensei em fazer o povo dançar e pensar ao mesmo tempo com ritmos envolventes.

MB – Considerada pela revista Rolling Stone a “Rainha do Dancehall no Brasil”, qual a sua visão sobre a mulher na cena musical e na babilônia atual?
LD - Ser considerada a “Rainha do Dancehall” me deu forças pra continuar a cantar, acreditar, produzir, foi presente de Jah! Sair em uma revista conceituada mundialmente, um incentivo pra todos que me conhecem. A mulher pode tudo e muito mais que quiser, temos força, coragem, determinação, acho que grandes mulheres estão fazendo a diferença. Positvidades a todas as minas de responsa!!!

                     Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali

MB – Você já participou de programas de TV na MTV (Onde também foi indicada ao Prêmio de Melhor artista de Reggae – VMB 2009), e TV Cultura, entre outros. Este ano também participou da Mixtape do South Rakkas Crew. Como surgiu essa parceria com os caras de Los Angeles?
LD - O selectah Akaider (DJ Akaida) veio pro Brasa conhecer a cena Dancehall/Reggae, gravou alguns brasileiros lá no estúdio do Galo Rex, e minha faixa foi escolhida pra entrar na Mixtape, ao lado de grandes nomes do Dancehall mundial como Bounty Killa, Killa Queenz, Lady Chann, Capleton, Lexie Lee.

MB – “Smokin Sensi”, som que você canta nessa Mixtape tem um beat bem acelerado. É o estilo mais moderno do dancehall atualmente, mais conhecido no exterior como Funky House. Como é seu processo de improvisação e de compor versos para as bases?


LD - To curtindo essa onda mais moderna pras novas faixas. Gosto de dançar sentir o beat, ai a letra vem naturalmente. 

MB - Sua música dá a impressão de estar sempre na frente, inovando com suas parcerias. Você acredita que a cena musical no Brasil é um pouco atrasada, comparada aos outros países?
LD - Bom eu gosto de inovar. E a inovação é tradição no Reggae, que é fazer música com o que se tem na mão, o Brasil criou um Reggae que só tem aqui, com base no Early Reggae. Quando estive em turnê pela Europa, vi que os caras respeitam muito a tradição mais não são presos ao passado, então conseguem fazer beats modernos sem perder a essência.  Aqui tem muitos produtores como Digitaldubs, Gustah, Jimmy Luv, Dubiterian, Buguinha Dub, que fazem essa evolução muito bem. 



MB – Recentemente você gravou o DVD “Mixtape Dancehall Ragga”, no espaço Matilha Cultural (flyer à direita), com o lançamento previsto para 2011. Pode adiantar detalhes (participações) desse e de outros projetos?
LD - "Mixtape Dancehall Ragga" é o nome do DVD que tem participações do QG Imperial e na segunda parte que ainda será gravada em 2011, terá a participação de uma Sound System, mais é surpresa, juro que conto em 2011, gostaria de agradecer todos os envolvidos nesse projeto, Matilha Cultural, banda QG Imperial, Casa da Lua – som; Jully & Camila Borba, Jah bless – figurino; Vanessita Barone – Maquiagem; Fernado Gardinali - fotografia e toda equipe de Produção.



MB – Como foi o evento que reuniu a mulherada do Reggae / Hip Hop?
LD - As minas representaram total !!! Foi uma noite de muito amor e respeito. Por isso continuo promovendo a festa Dancehall Ragga, sempre reúne grandes artistas é a evolução da boa música.


MB - Considerações Finais
LD - Positivas vibrações, obrigada a todos que apóiam o Dancehall/Reggae e sua essência.
Compareçam nos shows na “FESTA DANCEHALL RAGGA” ( Flyer abaixo - Última Edição do Ano – 11 Dez)...



LD - ... e nas terças do CCPC JAMEIKA DUB - em São Paulo!


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E-mail: daicnb@yahoo.com.br
Telefone – 55 11 8794-0332 (Tim)

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O DANCEHALL PELO MUNDO (BOX)


DANCEHALL PELO MUNDO
(Box da Matéria com a Rainha do Dancehall no Brasil - Lei Di Dai - SP)
Por Monique Barcellos

Você leitor, talvez não seja um profundo conhecedor (assim como eu, mera simpatizante da Cultura) de todas as gerações de artistas de Dancehall através dessas 3 décadas. Ou tenha se fixado no clã do Rei Bob Marley na geração Roots anos 80, ou ainda em sua prole, hoje mais focada no New Roots. Todas as gerações do Reggae e os estilos conversam muito bem entre si. Mas o Dancehall/Ragga pode se dizer o mais irreverente e versátil de todos. Estilo inicialmente mais distante dos temas políticos ou religiosos do Reggae, o Ragga/Dancehall surge no final dos anos 70.


O ritmo cresceu nos guetos da Jamaica entre as décadas de 70 e 80, praticamente em consequência do Ska, Rocksteady, e do Dub (este, no mínimo, como um estilo e não necessariamente como gênero musical), o Dancehall foi aliando-se gradativamente às novas tecnologias de Produção de Reggae Music com cada vez mais elementos eletrônicos e até mais baratos do que os que normalmente necessários para produzir Roots. Dancehall/Ragga se tornou mais versátil no sentido de conseguir dialogar com outras temáticas clássicas como política/religião, muito presentes no Roots e, além disso de adotar temáticas e batidas mais ousadas. Alguns dos grandes nomes do Dancehall são citados e reverenciados até hoje, como Yellow Man, Eek-A-Mouse, Sizzla Kalonji, Capleton, Barrington Levy, Bennie Man, entre outros.




O Dancehall começou a ser evidenciado como som de pista em meados da década de 80. Hoje possui um formato fora das “blockparties” (foto acima) - festas de rua, que têm o Selekta (DJ), o Singjay (cantor) ou o Raggaman (MC que improvisa rimas em cima das bases eletrônicas - os riddims). Não são tão frequentes como nas décadas anteriores, porém as festas de bairro podem ocorrer como parte da tradição da cultura Sound System (Sistema de Som – Equipamentos de Baile). O Ragga/Dancehall, naturalmente, através das décadas se desenvolve a temática sensual e sexual, que jamaicanos chamam "slackness". Um tipo de "proibidão" jamaicano no embalo do "pancadão", o que eles conhecem como "bashment". Também apresentam um discurso Gangsta/Politizado - que fala sobre gueto, crime, violência, ostentação.
De repente, você leitor ainda não de deu conta de que foram alguns artistas do Ragga/Dancehall que tomaram as telas e as rádios do mundo nos anos 90, com a onda da Dance Music e do R&B. E quem não dançou ao som de “Boombastic” do jamaicano Shaggy, ou ainda “Mr Loverman” de Shabba Ranks?






Mais recentemente, o que falar do sucesso mundial do raggaman jamaicano Sean Paul? Muitas vezes rotulado para o gênero "Black Music", o Dancehall ainda é sim, Música de Preto, mas geralmente acaba confundido com R&B ou com o Rap, talvez por beberem da mesma fonte - que é o canto falado e a cultura do gueto e de rua.
Dos anos 90 em diante, traz uma geração mais ousada e com ritmo cada vez mais forte, através das performances de Red Rat, Buju Banton, Elephant Man, Bounty Killa e muitos outros. Isso se levarmos em conta somente a Jamaica. Sem contarmos todas as nações franco-caribenhas e africanas (Martinica, Ilhas Reunião, Camarões), os Festivais de dança no Japão e os Festivais de Reggae/Dub/Ragga/Dancehall pela Europa, além das diversas festas que alimentam a cena Dancehall pelo mundo e das músicas onde muitos adeptos do Ragga usam o idioma do país de origem adicionando o criolo nas letras, como forma de manter a raíz da cultura africana:

(Kaf Malbar - Ilhas Reunião, fundador da 974 Dancehall Crew e ganhador do Prêmio de Melhor Artista Musical de 2010 - Troféu de Arte Afro Caribenha)


Assim como o Hip Hop, a cultura Reggae é um gênero recém-chegado, das ruas, que vem ganhando cada vez mais espaço na cena atual, ainda que com um conceito parcial de estética. Nas internas, vem apostando em cada vez mais Produções Musicais e Audiovisuais. Artistas são contratados por gravadoras majors. Já existem grifes especializadas e Prêmios de Música:


O New Roots parte da evolução do Dancehall com as temáticas de políticas e religião. É o caminho inverso. O moderno buscando na fonte. O reggae em si, se alimenta e se reinventa. Fato é que já existem circuitos, sonoridades, eventos e vertentes para todos os gostos. Muitos desses artistas seguem várias propostas dentro do Reggae em seus trabalhos, usam e abusam dessa versatilidade e da evolução de estilos dentro do gênero. Podemos perceber um diálogo maior entre o Ragga/Dancehall e o New Roots.

O Reggae e seus desdobramentos – Roots / Dub (?) / Ragga / Dancehall / New Roots já tomou proporções intercontinentais. Uma indústria que cresce junto com o número de adeptos da cultura, independente da origem e de ramificações. O Brasil tem uma cultura mais focada no Roots e New Roots e ainda engatinha nessa vibe Ragga/Dancehall. Salvos projetos de ska/mpb, como do grupo Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, que já tem praticamente todos os shows lotados!

O Ragga/Dancehall hoje é sinônimo de Entretenimento através de um ritmo envolvente e dançante. E se reproduz com mega eventos a exemplo da Labor Day Parade (Brooklyn - NY) Carnival. Ironicamente é um gênero que tem tudo a ver com o jeito descontraído, festeiro e cheio de swing, atitude, com a magia dos tambores, tupiniquim style. São Paulo possui alguns precursores e continua ditando tendência na cena pelas demais capitais... O Rio já tem alguns representantes do Dancehall e da cultura Sound System, naturalmente mais arrojados e com maior potência do que nos primórdios na Jamaica (foto à esquerda). Só para citar alguns nomes: DigitalDubs SoundSystem (RJ), Interferência Sistema de Som (RJ), Urcasonica Sound System (RJ), Jurassic Sound System (SP), entre outros. Esta estrutura vem abrindo porta para o intercâmbio cada vez maior de artistas e adeptos pelo mundo. O Brasil está cada vez mais buscando essa conjuntura e estamos muito bem representados, por sinal...


... E parece que a nossa Rainha do Dancehall estava no lugar certo, na vibe certa para ser coroada.









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sexta-feira, dezembro 10, 2010

Dica de Filme - Tetro

:: Dica de Filme ::

Estreia da Semana

:: Sinopse ::

"Tetro" é a história do irmão mais velho, que jurou nunca mais ver a família, desmembrada e afastada por conflitos que ficaram por resolver. Bennie, o irmão mais novo, segue o exemplo, foge de casa e embarca em um navio para a Argentina em busca de Tetro. Outrora um brilhante poeta, Tetro está distante e amargo. Rejeitou o nome e deixou de escrever. Na casa de La Boca, Bennie descobre textos antigos do irmão, onde estão guardados os segredos daquela família, arruinada por rivalidades. (Fonte:
filmescomlegenda)


Gênero: Drama
Diretor: Francis Ford Coppola Elenco: Vincent Gallo, Maribel Verdú, Alden Ehrenreich, Klaus Maria Brandauer
País de Produção: Argentina/Itália/Espanha (2009)
Exibição: Já nos Cinemas

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Francis Ford Coppola lança "Tetro" no Brasil

O filme que estreou ontem (10) nos cinemas marca regresso de Coppola
  • Por Monique Barcellos

Um retorno curioso para os novos cinéfilos, como quem se dá conta de que hoje ele possa estar mais para o Pai da Sofia. E no alto da sua experiência, hoje aos 71 anos, ele está com tudo: Francis Ford Copolla ("O Poderoso Chefão" / "Apocalypse Now"), senhoras e senhores. "Tetro" não é apenas mais uma prometida bomba como "Youth without Youth" de 2007, sem muito avanço.

Dessa vez ele quebrou o gelo. Depois de ter o novo roteiro roubado, rodado e filmado de forma independente, em 2010 - mais precisamente no último dia 29 - Coppola veio lançar "Tetro" no Brasil. O filme arrecadou U$ 416 mil para um orçamento estimado em US$ 15 milhões pra ser rodado. A estreia nos EUA também foi modesta teve 8 salas, cujo circuito chegou a 16 salas. Apesar das dificuldades para lançar um filme independente, ontem (10) "Tetro" estreou no Brasil com muito apetite da crítica, da mídia e dos fãs do todo-poderoso Coppola. Em entrevista para O Globo, Coppola afirmou que aprendeu muito com a filha, também cineasta, Sofia Coppola.

Mas não subestimemos o Mr. Coppola, vamos dar um crédito por seu silêncio criativo. Afinal, "Tetro" quebrou um jejum de 35 anos sem uma produção independente e original! Segundo o crítico Marcelo Janot destacou no Rio Show, "Tetro" tem um significado especial por ser o primeiro filme baseado numa ideia original de Coppola desde "A conversação"(1974). Não à toa, alguns críticos são implacáveis para ver qualquer escorregão de Copolla - loucos para trabalhar - ou elucidar qualquer atuação mediana de um protagonista...

Confira o Trailer Oficial de "Tetro":




Acabei de assistir ao filme e aí vai minha impressão - "Tetro" é um dos filmes mais interessantes de Coppola em muitos anos e por muitos ângulos. Com a trama que se passa na Argentina, algumas cenas engraçadas, mais teatrais e até mesmo as mais exagerdas lembram a estética almodovarina, mas isso "até a página 2". A história de "Tetro" é cercada de mistérios e problemas em família - típicos da linguagem de Copolla. É curiosa a forma com que ele retrata a história de sua própria família em "Tetro". Pai músico, mãe atriz, descendente de italiano, seus filmes defendem o tema familiar. Destaque para a trilha sonora, que traz "Naomi", uma música de Carmine Coppola, músico e pai do cineasta.

"NO SUELTES LA SOGA QUE ME ATA A TU ALMA" (Não solte a corda que me prende à sua alma): essa frase inscrita no muro de La Boca carrega toda emblemática de Coppola. Família em primeiro lugar; laços; conflitos. Com uma fotografia suave em preto e branco, Coppola destaca as partes das memórias dos personagens com imagem colorida e atuação bem teatral. A história de "Tetro" é narrada de forma clichê, é bastante explicativa entre os diálogos. Trata temas clichês, com estética clichê, o que muitos poderiam dizer ser bem chato. Mas a genialidade do roteiro completa um enredo poético, a destacar as atuações marcantes de Vincent Gallo, Alden Ehrenreich (foto abaixo) e da atriz espanhola Maribel Verdú.

Foto: Divulgação


Aí está a mistura de recursos ditos "ultrapassados" ou não mais comerciais nos dias de hoje, para a indústria cinematográfica e seus multi efeitos. Estamos diante de uma produção independente, onde Coppola faz seu regresso em grande estilo e afirma ter escolhido a estética em preto e branco para dar a "Tetro" um realismo poético. E realmente esse recurso (até bobo para o cinema contemporâneo) dá uma ideia secundária de que estamos assistindo uma história de ficção, com pinceladas de Almodóvar ao vermos situações impensáveis fora das telas - ao mesmo tempo, sublinhadas com sutileza e ludicidade. Até as cenas violentas ficam incrivelmente poéticas.


Para muitos, a tradução do cinema está em imagens preto e branco. Isso é como um emblema... É como ver o passado no agora.
Coppola já havia rodado um longa-metragem em preto e branco com partes coloridas, exatamente como em "Tetro", no filme "O selvagem da motocicleta" de 1983. Pelo que parece, essa tendência também está com tudo no cinema brasileiro - como ilustrou a capa do Segundo Caderno do O Globo (10) na matéria de André Rocha.

Foto: Flavowire.com

Para alguns, talvez seja um filme parado, adornado nas molduras de cada personagem. Um filme interessante para quem gosta de ver um elenco afiado (foto acima), e não somente a atuação do protagonista. Pode ser decepcionante para quem quer ver um filme sem clichês para abordar um assunto clichê: problemas familiares. Pode ser um filme irritante para quem acostumou com os filmes de Coppola atrelados às amarras hollywoodianas ou às versões de livros.

É um filme não tão experimental, porém, sujeito a escorregões. Ainda assim, um filme com um roteiro inteligente e sedutor. Autêntico. Não espere um besteirol, nem espere tiroteio, tapa na cara, não espere nada. Espere poesia e assista... Pode esperar um autor que não tem medo de arriscar, que está no jogo. Sofia Coppola tem berço e ainda pode se orgulhar. Papai Coppola is back to the track e em ótima forma. Vale à pena.



Confira mais imagens do Filme e do Making Off - CLIQUE AQUI

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:: Extra ::

Vincent Gallo como protagonista

Por Monique Barcellos


Por que Coppola escolheu Gallo? Quem conhece as produções Lado B de Vincent Gallo - apesar dele já ter atuado em filmes grandes, como "Os Bons Companheiros" de Martin Scorsese - já sabe o que esperar nessa nova aposta de Coppola. Além de ator, Gallo também é músico, produtor musical, diretor (tem filmes linha cult interessantes, entre eles o censurado "The Brown Bunny" (2003) com Clöe Sevigny (de "Meninos não Choram") e trilha sonora de John Frusciante. Esse filme ficou famoso por uma cena ultra realista em que Daisy pratica sexo oral com Bud (Vincent Gallo):

Segue parte da cena de mais um filme de Gallo, "Buffalo 66", com Cristina Richie, atuação e direção de Vincent Gallo:





Vincent Gallo é o editor de vários clipes de John Frusciante. Só no disco "To Record Only Water For Ten Days" de 2001, Gallo filmou e dirigiu seis clipes (In Rime, Moments Have You, Wind Up Space, Ramparts, Fallout e, entre eles, o mais executado, "Going Inside", cujo título dará origem a um filme, que está em fase de produção):

Pois é! Quem iria pensar nessa alquimia: Vincent Gallo como um protagonista de um filme de Coppola? Que mistura inusitada. Eu vou além e digo - excitante! Se pararmos para conhecer a versatilidade e a ousadia de Gallo em todos os seus projetos, veremos uma lógica quase que natural, do tipo "como ninguém pensou nisso antes?"... Em "Tetro" podemos ver um Gallo diferente (sempre ousado, isso sim!), com cores soturnas, um protagonista introspectivo, com um tom cítrico. E como sempre com seu toque mais selvagem, pitoresco. Novo fôlego para Gallo, novo fôlego para Coppola. E só nos resta apreciar.

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