sexta-feira, dezembro 10, 2010

Dica de Filme - Tetro

:: Dica de Filme ::

Estreia da Semana

:: Sinopse ::

"Tetro" é a história do irmão mais velho, que jurou nunca mais ver a família, desmembrada e afastada por conflitos que ficaram por resolver. Bennie, o irmão mais novo, segue o exemplo, foge de casa e embarca em um navio para a Argentina em busca de Tetro. Outrora um brilhante poeta, Tetro está distante e amargo. Rejeitou o nome e deixou de escrever. Na casa de La Boca, Bennie descobre textos antigos do irmão, onde estão guardados os segredos daquela família, arruinada por rivalidades. (Fonte:
filmescomlegenda)


Gênero: Drama
Diretor: Francis Ford Coppola Elenco: Vincent Gallo, Maribel Verdú, Alden Ehrenreich, Klaus Maria Brandauer
País de Produção: Argentina/Itália/Espanha (2009)
Exibição: Já nos Cinemas

:::::::::::::::::::::::::::::::::


Francis Ford Coppola lança "Tetro" no Brasil

O filme que estreou ontem (10) nos cinemas marca regresso de Coppola
  • Por Monique Barcellos

Um retorno curioso para os novos cinéfilos, como quem se dá conta de que hoje ele possa estar mais para o Pai da Sofia. E no alto da sua experiência, hoje aos 71 anos, ele está com tudo: Francis Ford Copolla ("O Poderoso Chefão" / "Apocalypse Now"), senhoras e senhores. "Tetro" não é apenas mais uma prometida bomba como "Youth without Youth" de 2007, sem muito avanço.

Dessa vez ele quebrou o gelo. Depois de ter o novo roteiro roubado, rodado e filmado de forma independente, em 2010 - mais precisamente no último dia 29 - Coppola veio lançar "Tetro" no Brasil. O filme arrecadou U$ 416 mil para um orçamento estimado em US$ 15 milhões pra ser rodado. A estreia nos EUA também foi modesta teve 8 salas, cujo circuito chegou a 16 salas. Apesar das dificuldades para lançar um filme independente, ontem (10) "Tetro" estreou no Brasil com muito apetite da crítica, da mídia e dos fãs do todo-poderoso Coppola. Em entrevista para O Globo, Coppola afirmou que aprendeu muito com a filha, também cineasta, Sofia Coppola.

Mas não subestimemos o Mr. Coppola, vamos dar um crédito por seu silêncio criativo. Afinal, "Tetro" quebrou um jejum de 35 anos sem uma produção independente e original! Segundo o crítico Marcelo Janot destacou no Rio Show, "Tetro" tem um significado especial por ser o primeiro filme baseado numa ideia original de Coppola desde "A conversação"(1974). Não à toa, alguns críticos são implacáveis para ver qualquer escorregão de Copolla - loucos para trabalhar - ou elucidar qualquer atuação mediana de um protagonista...

Confira o Trailer Oficial de "Tetro":




Acabei de assistir ao filme e aí vai minha impressão - "Tetro" é um dos filmes mais interessantes de Coppola em muitos anos e por muitos ângulos. Com a trama que se passa na Argentina, algumas cenas engraçadas, mais teatrais e até mesmo as mais exagerdas lembram a estética almodovarina, mas isso "até a página 2". A história de "Tetro" é cercada de mistérios e problemas em família - típicos da linguagem de Copolla. É curiosa a forma com que ele retrata a história de sua própria família em "Tetro". Pai músico, mãe atriz, descendente de italiano, seus filmes defendem o tema familiar. Destaque para a trilha sonora, que traz "Naomi", uma música de Carmine Coppola, músico e pai do cineasta.

"NO SUELTES LA SOGA QUE ME ATA A TU ALMA" (Não solte a corda que me prende à sua alma): essa frase inscrita no muro de La Boca carrega toda emblemática de Coppola. Família em primeiro lugar; laços; conflitos. Com uma fotografia suave em preto e branco, Coppola destaca as partes das memórias dos personagens com imagem colorida e atuação bem teatral. A história de "Tetro" é narrada de forma clichê, é bastante explicativa entre os diálogos. Trata temas clichês, com estética clichê, o que muitos poderiam dizer ser bem chato. Mas a genialidade do roteiro completa um enredo poético, a destacar as atuações marcantes de Vincent Gallo, Alden Ehrenreich (foto abaixo) e da atriz espanhola Maribel Verdú.

Foto: Divulgação


Aí está a mistura de recursos ditos "ultrapassados" ou não mais comerciais nos dias de hoje, para a indústria cinematográfica e seus multi efeitos. Estamos diante de uma produção independente, onde Coppola faz seu regresso em grande estilo e afirma ter escolhido a estética em preto e branco para dar a "Tetro" um realismo poético. E realmente esse recurso (até bobo para o cinema contemporâneo) dá uma ideia secundária de que estamos assistindo uma história de ficção, com pinceladas de Almodóvar ao vermos situações impensáveis fora das telas - ao mesmo tempo, sublinhadas com sutileza e ludicidade. Até as cenas violentas ficam incrivelmente poéticas.


Para muitos, a tradução do cinema está em imagens preto e branco. Isso é como um emblema... É como ver o passado no agora.
Coppola já havia rodado um longa-metragem em preto e branco com partes coloridas, exatamente como em "Tetro", no filme "O selvagem da motocicleta" de 1983. Pelo que parece, essa tendência também está com tudo no cinema brasileiro - como ilustrou a capa do Segundo Caderno do O Globo (10) na matéria de André Rocha.

Foto: Flavowire.com

Para alguns, talvez seja um filme parado, adornado nas molduras de cada personagem. Um filme interessante para quem gosta de ver um elenco afiado (foto acima), e não somente a atuação do protagonista. Pode ser decepcionante para quem quer ver um filme sem clichês para abordar um assunto clichê: problemas familiares. Pode ser um filme irritante para quem acostumou com os filmes de Coppola atrelados às amarras hollywoodianas ou às versões de livros.

É um filme não tão experimental, porém, sujeito a escorregões. Ainda assim, um filme com um roteiro inteligente e sedutor. Autêntico. Não espere um besteirol, nem espere tiroteio, tapa na cara, não espere nada. Espere poesia e assista... Pode esperar um autor que não tem medo de arriscar, que está no jogo. Sofia Coppola tem berço e ainda pode se orgulhar. Papai Coppola is back to the track e em ótima forma. Vale à pena.



Confira mais imagens do Filme e do Making Off - CLIQUE AQUI

:::::::::::::::::::::::::::::

:: Extra ::

Vincent Gallo como protagonista

Por Monique Barcellos


Por que Coppola escolheu Gallo? Quem conhece as produções Lado B de Vincent Gallo - apesar dele já ter atuado em filmes grandes, como "Os Bons Companheiros" de Martin Scorsese - já sabe o que esperar nessa nova aposta de Coppola. Além de ator, Gallo também é músico, produtor musical, diretor (tem filmes linha cult interessantes, entre eles o censurado "The Brown Bunny" (2003) com Clöe Sevigny (de "Meninos não Choram") e trilha sonora de John Frusciante. Esse filme ficou famoso por uma cena ultra realista em que Daisy pratica sexo oral com Bud (Vincent Gallo):

Segue parte da cena de mais um filme de Gallo, "Buffalo 66", com Cristina Richie, atuação e direção de Vincent Gallo:





Vincent Gallo é o editor de vários clipes de John Frusciante. Só no disco "To Record Only Water For Ten Days" de 2001, Gallo filmou e dirigiu seis clipes (In Rime, Moments Have You, Wind Up Space, Ramparts, Fallout e, entre eles, o mais executado, "Going Inside", cujo título dará origem a um filme, que está em fase de produção):

Pois é! Quem iria pensar nessa alquimia: Vincent Gallo como um protagonista de um filme de Coppola? Que mistura inusitada. Eu vou além e digo - excitante! Se pararmos para conhecer a versatilidade e a ousadia de Gallo em todos os seus projetos, veremos uma lógica quase que natural, do tipo "como ninguém pensou nisso antes?"... Em "Tetro" podemos ver um Gallo diferente (sempre ousado, isso sim!), com cores soturnas, um protagonista introspectivo, com um tom cítrico. E como sempre com seu toque mais selvagem, pitoresco. Novo fôlego para Gallo, novo fôlego para Coppola. E só nos resta apreciar.

:::::::::::::::::::::::::::::

Um comentário:

  1. Seu blog ta cada vez melhor monique,parabens pelo trabalho,é nozesss

    ResponderExcluir

Fique à vontade e por favor, ASSINE seu comentário!