quinta-feira, dezembro 30, 2010

:: Entrevista - Lei Di Dai (SP) ::

:: Entrevista ::
Positividades na Pista e na Vida
Essa é a lei da cantora Lei Di Dai
Por Monique Barcellos

Figura mais do que respeitada, tanto nas festas de Ragga / Dancehall de São Paulo, como nas ruas, Daiane cresceu e vive com muita satisfação na Vila Ré, Zona Leste paulistana, influenciada pela música e guiada por Jah! Lei Di Dai (Apelido que adotou em homenagem à cantora americana Diana Ross) é considerada a “Rainha do Dancehall no Brasil”. Uma mulher de Sampa, do gueto, do Reggae... Uma mulher de negócios, que tem o prestígio nas festas de Ragga pela noite paulistana, pelas calçadas e SESCs. A cantora, que tem raiz, talento e carisma de sobra. Também tem seu trabalho, tem sua música reconhecida internacionalmente. 

"O som jamaicano vem com boas vibrações, isso me faz ser quem eu sou." (Lei Di Dai)


              Lei Di Dai / Divulgação
Ao lado de grandes nomes do Dancehall Mundial (Bounty Killa, Killa Queenz, Lady Chann, Capleton e Lexie Lee) Lei Di Dai fortaleceu a cena Ragga / Dancehall No Brasil com seu som na coletânea dos caras de Los Angeles (South Rakkas Crew). Lei Di Dai foi considerada a “Rainha do Dancehall Brasileiro” pela revista Rolling Stone em 2006 e, em 2008 lançou um disco de forma independente (“Alpha & Ômega – 2008). Com a vibe positiva dos amigos, fãs e um trabalho de qualidade, o disco é o mais vendido do gênero no Brasil. Uma das pioneiras no Brasil, Lei Di Dai acaba de gravar o DVD "Mixtape Dancehall Ragga", com lançamento previsto para 2011 e adianta detalhes desse e de outros projetos. Confira a entrevista exclusiva!





DANCEHALL PELO MUNDO - Todas as gerações do Reggae e os estilos conversam muito bem entre si. Mas o Dancehall/Ragga pode se dizer o mais irreverente e versátil de todos. Estilo inicialmente mais distante dos temas políticos e religiosos do Reggae, o Ragga/Dancehall surge no final dos anos 70... (leia mais)








(Divulgação: Lei Di Dai e banda QG Imperial)


 Do lado de cá, Lei Di Dai vem com tudo e aposta no Dancehall com a cara do Brasil.


REPRESENTANDO A MULHER NO MICROFONE

Lei Di Dai já contagiou plateias e programas de TV pelo Brasil. Tudo com desenvoltura de quem é sua própria empresária, assessora de imprensa, secretária. Lei Di Dai cria música e estrutura próprias, consegue eliminar as burocracias com a mesma desenvoltura com que compõe as letras, que se deixa envolver pelos riddims
Seus shows têm geralmente a parceria com banda QG Imperial (Foto anterior - Danilo - baixo, Jah Faya - bateria, Lei Di Dai - vocal, Lucas - teclado e Daniel - guitarra) e o trabalho teve apoio da marca Guns SkateBoards, até 2009, quando produziu seu primeiro CD. Agora com a gravação de DVD, ela conta com outros apoiadores em grande estilo. Hoje Lei Di Dai conta as marcas Santo Angelo e UltraEco.



Em qualquer situação, em qualquer base, essa guerreira vem conquistando o espaço. Um espaço da cena Reggae atual, antes dominado em grande parte por homens, já que, na maioria das festas encontramos mulheres como rainhas da dança (apelidadas de Punnanny e Dancehall Queen). O microfone ainda é para poucas. Mas isso vem mudando gradualmente, com certeza com talento e o empurrão positivo de Lei Di Dai.

                                                                                                                                            Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali 

A entrevista a seguir revela um pouco do estilo de vida de uma das cantoras mais influentes da cena reggae atual. A cantora participou recentemente de um evento somente com atrações femininas. A festa RAGGA DANCEHALL contou com várias MCs/Deejays abrilhantando a cena independente de São Paulo. Acabou de gravar o DVD “Mixtape Dancehall Ragga”, no espaço Matilha Cultural, com o lançamento previsto para 2011. A guerreira é nossa entrevistada e adianta também algumas participações desse e de outros projetos, sempre levando positividades por onde passa com sua musicalidade e negritude. Puro Fya!      


Entrevista - LEI DI DAI

Monique Barcellos - Uma das primeiras influências musicais (segundo entrevistas anteriores) foram as rodas de samba no bar dos seus pais, na Zona Leste de São Paulo. Quando você decidiu seguir a carreira de cantora e quem ou o que foi seu maior incentivo?
Lei Di Dai - Sim, cresci em um ambiente totalmente musical, a maior incentivadora é minha avó, que sempre me apoiou e investiu na minha carreira. Aos 20 anos decidi só cantar e encarar os desafios da música.

MB - Entre as características do reggae, do som de pista (DANCEHALL) nas suas músicas, você expõe muita personalidade e otimismo nas suas letras, a vibe positiva, resistência, negritude.  Essa atitude positiva vem do reggae ou vem de berço?
LD - Vem de berço, que sempre foi balançado pelo "reggae", meu pai era um grande ouvinte de reggae e boa música e me ensinou sempre encarar a vida na positividade. Porque tudo pode ser melhor se você encarar com otimismo, verdade e viver feliz!!!!

MB - Como o reggae entrou na sua vida? Quais são as suas maiores influências musicais no Brasil e na gringa?
LD - Reggae é vida! Minhas influências são muitas, gosto de música com sentimento, batidas africanas e boas mensagens. 

MB - Você é conhecida por sua voz poderosa e pela vibe dançante nas suas músicas. Como surgiu a parceria com a marca Guns Skateboard?
LD - São Paulo é pura energia de encontros certos na hora certa e foi isso que rolou, estava de role na galeria 24 de maio. Encontrei o Indinho da Mission que me apresentou o Alberto da Guns e ele me perguntou sobre o cd.  Eu falei que ainda não tinha lançando porque precisava de apoio cultural e como o Alberto já tinha ouvido falar do meu som, sugeriu a parceria de um tenis Rasta by Lei Di Dai. Com as vendas do tênis e mais o apoio de Fauzi Beydon (tribo de jah), lancei o "Alpha & Omega" o mais vendido do gênero graças a Jah!

MB - Seus trabalhos têm uma grande influência na cena reggae de São Paulo, do Brasil . Ao mesmo tempo, São Paulo - assim como na maior parte das cidades - tem “muita Babilônia”: tudo envolve dinheiro e rótulos sociais. Como você administra sua música no seu dia-a-dia. O conteúdo que você passa nas letras é um alerta, ou é o que acontece com a Lei di Dai no cotidiano?

Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali





Lei Di Dai nos bastidores: Concentração antes do show.


LD - Acontece mesmo, é realidade, ser preta, mulher da periferia e conseguir em grande estilo tacar fogo na Babilônia é fantástico! Porque a Babilônia é mental, as pessoas são cheias de conflitos e ambições, por isso mantenho o equilíbrio e faço as coisas acontecerem na boa vibração, fazendo a diferença sem me entregar à Babilônia e Ragga neles.


MB - QG Imperial é uma banda de apoio super respeitada na cena reggae de São Paulo e que também tem grande importância no seu trabalho. Como surgiu essa união?
LD - Em 2006 a união foi natural, eles foram muito importantes no início da minha carreira solo, nos conhecemos há muito tempo e temos uma afinidade musical gigantesca.

MB - Em 2008 você lançou o disco "Alpha & Omega", o mais vendido do gênero. Você acredita que essa diversidade de ritmos no seu disco e a aceitação desse formato é um sinal de que a cena reggae do Brasil pode inovar, arriscar mais?
LD - Aqui no Brasil tem várias bandas bem tradicionais, o "Reggae Nacional". Eu fugi dessa linha de reggae e fui direto a fonte... Jamaica!!!  Inovação mesmo. Popularizar o "Dancehall" que é a evolução do Reggae... Trazer o Dub, Rub - A - Dub, New Roots, pro povão mesmo. Aqui no país a galera gosta de dançar e se divertir. Então pensei em fazer o povo dançar e pensar ao mesmo tempo com ritmos envolventes.

MB – Considerada pela revista Rolling Stone a “Rainha do Dancehall no Brasil”, qual a sua visão sobre a mulher na cena musical e na babilônia atual?
LD - Ser considerada a “Rainha do Dancehall” me deu forças pra continuar a cantar, acreditar, produzir, foi presente de Jah! Sair em uma revista conceituada mundialmente, um incentivo pra todos que me conhecem. A mulher pode tudo e muito mais que quiser, temos força, coragem, determinação, acho que grandes mulheres estão fazendo a diferença. Positvidades a todas as minas de responsa!!!

                     Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali

MB – Você já participou de programas de TV na MTV (Onde também foi indicada ao Prêmio de Melhor artista de Reggae – VMB 2009), e TV Cultura, entre outros. Este ano também participou da Mixtape do South Rakkas Crew. Como surgiu essa parceria com os caras de Los Angeles?
LD - O selectah Akaider (DJ Akaida) veio pro Brasa conhecer a cena Dancehall/Reggae, gravou alguns brasileiros lá no estúdio do Galo Rex, e minha faixa foi escolhida pra entrar na Mixtape, ao lado de grandes nomes do Dancehall mundial como Bounty Killa, Killa Queenz, Lady Chann, Capleton, Lexie Lee.

MB – “Smokin Sensi”, som que você canta nessa Mixtape tem um beat bem acelerado. É o estilo mais moderno do dancehall atualmente, mais conhecido no exterior como Funky House. Como é seu processo de improvisação e de compor versos para as bases?


LD - To curtindo essa onda mais moderna pras novas faixas. Gosto de dançar sentir o beat, ai a letra vem naturalmente. 

MB - Sua música dá a impressão de estar sempre na frente, inovando com suas parcerias. Você acredita que a cena musical no Brasil é um pouco atrasada, comparada aos outros países?
LD - Bom eu gosto de inovar. E a inovação é tradição no Reggae, que é fazer música com o que se tem na mão, o Brasil criou um Reggae que só tem aqui, com base no Early Reggae. Quando estive em turnê pela Europa, vi que os caras respeitam muito a tradição mais não são presos ao passado, então conseguem fazer beats modernos sem perder a essência.  Aqui tem muitos produtores como Digitaldubs, Gustah, Jimmy Luv, Dubiterian, Buguinha Dub, que fazem essa evolução muito bem. 



MB – Recentemente você gravou o DVD “Mixtape Dancehall Ragga”, no espaço Matilha Cultural (flyer à direita), com o lançamento previsto para 2011. Pode adiantar detalhes (participações) desse e de outros projetos?
LD - "Mixtape Dancehall Ragga" é o nome do DVD que tem participações do QG Imperial e na segunda parte que ainda será gravada em 2011, terá a participação de uma Sound System, mais é surpresa, juro que conto em 2011, gostaria de agradecer todos os envolvidos nesse projeto, Matilha Cultural, banda QG Imperial, Casa da Lua – som; Jully & Camila Borba, Jah bless – figurino; Vanessita Barone – Maquiagem; Fernado Gardinali - fotografia e toda equipe de Produção.



MB – Como foi o evento que reuniu a mulherada do Reggae / Hip Hop?
LD - As minas representaram total !!! Foi uma noite de muito amor e respeito. Por isso continuo promovendo a festa Dancehall Ragga, sempre reúne grandes artistas é a evolução da boa música.


MB - Considerações Finais
LD - Positivas vibrações, obrigada a todos que apóiam o Dancehall/Reggae e sua essência.
Compareçam nos shows na “FESTA DANCEHALL RAGGA” ( Flyer abaixo - Última Edição do Ano – 11 Dez)...



LD - ... e nas terças do CCPC JAMEIKA DUB - em São Paulo!


:: CONTATO ::

E-mail: daicnb@yahoo.com.br
Telefone – 55 11 8794-0332 (Tim)

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