quinta-feira, dezembro 30, 2010

O DANCEHALL PELO MUNDO (BOX)


DANCEHALL PELO MUNDO
(Box da Matéria com a Rainha do Dancehall no Brasil - Lei Di Dai - SP)
Por Monique Barcellos

Você leitor, talvez não seja um profundo conhecedor (assim como eu, mera simpatizante da Cultura) de todas as gerações de artistas de Dancehall através dessas 3 décadas. Ou tenha se fixado no clã do Rei Bob Marley na geração Roots anos 80, ou ainda em sua prole, hoje mais focada no New Roots. Todas as gerações do Reggae e os estilos conversam muito bem entre si. Mas o Dancehall/Ragga pode se dizer o mais irreverente e versátil de todos. Estilo inicialmente mais distante dos temas políticos ou religiosos do Reggae, o Ragga/Dancehall surge no final dos anos 70.


O ritmo cresceu nos guetos da Jamaica entre as décadas de 70 e 80, praticamente em consequência do Ska, Rocksteady, e do Dub (este, no mínimo, como um estilo e não necessariamente como gênero musical), o Dancehall foi aliando-se gradativamente às novas tecnologias de Produção de Reggae Music com cada vez mais elementos eletrônicos e até mais baratos do que os que normalmente necessários para produzir Roots. Dancehall/Ragga se tornou mais versátil no sentido de conseguir dialogar com outras temáticas clássicas como política/religião, muito presentes no Roots e, além disso de adotar temáticas e batidas mais ousadas. Alguns dos grandes nomes do Dancehall são citados e reverenciados até hoje, como Yellow Man, Eek-A-Mouse, Sizzla Kalonji, Capleton, Barrington Levy, Bennie Man, entre outros.




O Dancehall começou a ser evidenciado como som de pista em meados da década de 80. Hoje possui um formato fora das “blockparties” (foto acima) - festas de rua, que têm o Selekta (DJ), o Singjay (cantor) ou o Raggaman (MC que improvisa rimas em cima das bases eletrônicas - os riddims). Não são tão frequentes como nas décadas anteriores, porém as festas de bairro podem ocorrer como parte da tradição da cultura Sound System (Sistema de Som – Equipamentos de Baile). O Ragga/Dancehall, naturalmente, através das décadas se desenvolve a temática sensual e sexual, que jamaicanos chamam "slackness". Um tipo de "proibidão" jamaicano no embalo do "pancadão", o que eles conhecem como "bashment". Também apresentam um discurso Gangsta/Politizado - que fala sobre gueto, crime, violência, ostentação.
De repente, você leitor ainda não de deu conta de que foram alguns artistas do Ragga/Dancehall que tomaram as telas e as rádios do mundo nos anos 90, com a onda da Dance Music e do R&B. E quem não dançou ao som de “Boombastic” do jamaicano Shaggy, ou ainda “Mr Loverman” de Shabba Ranks?






Mais recentemente, o que falar do sucesso mundial do raggaman jamaicano Sean Paul? Muitas vezes rotulado para o gênero "Black Music", o Dancehall ainda é sim, Música de Preto, mas geralmente acaba confundido com R&B ou com o Rap, talvez por beberem da mesma fonte - que é o canto falado e a cultura do gueto e de rua.
Dos anos 90 em diante, traz uma geração mais ousada e com ritmo cada vez mais forte, através das performances de Red Rat, Buju Banton, Elephant Man, Bounty Killa e muitos outros. Isso se levarmos em conta somente a Jamaica. Sem contarmos todas as nações franco-caribenhas e africanas (Martinica, Ilhas Reunião, Camarões), os Festivais de dança no Japão e os Festivais de Reggae/Dub/Ragga/Dancehall pela Europa, além das diversas festas que alimentam a cena Dancehall pelo mundo e das músicas onde muitos adeptos do Ragga usam o idioma do país de origem adicionando o criolo nas letras, como forma de manter a raíz da cultura africana:

(Kaf Malbar - Ilhas Reunião, fundador da 974 Dancehall Crew e ganhador do Prêmio de Melhor Artista Musical de 2010 - Troféu de Arte Afro Caribenha)


Assim como o Hip Hop, a cultura Reggae é um gênero recém-chegado, das ruas, que vem ganhando cada vez mais espaço na cena atual, ainda que com um conceito parcial de estética. Nas internas, vem apostando em cada vez mais Produções Musicais e Audiovisuais. Artistas são contratados por gravadoras majors. Já existem grifes especializadas e Prêmios de Música:


O New Roots parte da evolução do Dancehall com as temáticas de políticas e religião. É o caminho inverso. O moderno buscando na fonte. O reggae em si, se alimenta e se reinventa. Fato é que já existem circuitos, sonoridades, eventos e vertentes para todos os gostos. Muitos desses artistas seguem várias propostas dentro do Reggae em seus trabalhos, usam e abusam dessa versatilidade e da evolução de estilos dentro do gênero. Podemos perceber um diálogo maior entre o Ragga/Dancehall e o New Roots.

O Reggae e seus desdobramentos – Roots / Dub (?) / Ragga / Dancehall / New Roots já tomou proporções intercontinentais. Uma indústria que cresce junto com o número de adeptos da cultura, independente da origem e de ramificações. O Brasil tem uma cultura mais focada no Roots e New Roots e ainda engatinha nessa vibe Ragga/Dancehall. Salvos projetos de ska/mpb, como do grupo Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, que já tem praticamente todos os shows lotados!

O Ragga/Dancehall hoje é sinônimo de Entretenimento através de um ritmo envolvente e dançante. E se reproduz com mega eventos a exemplo da Labor Day Parade (Brooklyn - NY) Carnival. Ironicamente é um gênero que tem tudo a ver com o jeito descontraído, festeiro e cheio de swing, atitude, com a magia dos tambores, tupiniquim style. São Paulo possui alguns precursores e continua ditando tendência na cena pelas demais capitais... O Rio já tem alguns representantes do Dancehall e da cultura Sound System, naturalmente mais arrojados e com maior potência do que nos primórdios na Jamaica (foto à esquerda). Só para citar alguns nomes: DigitalDubs SoundSystem (RJ), Interferência Sistema de Som (RJ), Urcasonica Sound System (RJ), Jurassic Sound System (SP), entre outros. Esta estrutura vem abrindo porta para o intercâmbio cada vez maior de artistas e adeptos pelo mundo. O Brasil está cada vez mais buscando essa conjuntura e estamos muito bem representados, por sinal...


... E parece que a nossa Rainha do Dancehall estava no lugar certo, na vibe certa para ser coroada.









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Um comentário:

  1. adorei a materia disses ti mt coisa que nao sabia
    !
    daki de portugal curto teu trabalho e o que é melhor fico enformado no que acontece por ai bjs

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