terça-feira, julho 05, 2011

Dubstep Rap: Bem-vindo ao futuro

:: Música e Comportamento ::

Dubstep Rap: Bem-vindo ao futuro

Futuro agora? Parece que sim. Basta reunir os principais gêneros e se perguntar: o que eles vêm trazendo em comum? As produções de música eletrônica romperam alguns rótulos pelo mundo, ainda que não tenham atravessado classificações no próprio meio: Tribal, Trance, House e seus desdobramentos. E um deles vem emergindo agora: o Dubstep.

Fruto de experimentos de garagem por volta de 1998 em Londres, o Dubstep é basicamente influenciado pelo Reggae (sendo diferente do Dub Reggae dos anos 60 e 70) e incorpora elementos do BreakBeat e do Drum'n Bass. Ganhou ares mais atuais em meados de 2000, através da música Distance do Digital Myztiks and Plasticians (Plasticman) que, com votação na BBC Radio, permaneceu no Top 50. Entre outros aparecimentos simultâneos, chegamos à jornalista e DJ Mary Anne Hobbs, já consagrada por se apresentar dedicada ao gênero, com show intitulado Dubstep Warz em 2006.



Influências de ontem e hoje


O que vemos nas produções atuais é uma inclinação quase sincronizada. Até os anos 80 e 90 a criação era, aos poucos, concebida e desencadeada. Hoje é um processo cada vez mais interligado, aceitável entre diversos estilos. Dentro dessa nova busca, através de fragmentos eletrônicos, a música vem resgatando sonoridades, equipamentos antes descartados, reinventando ritmo e estética.

Com a onda tecnológica, valendo a lei do consumo, equipamentos são descartados aos montes em um tempo mínimo. Downloads imperam, a indústria fonográfica vive crise permanente com grandes gravadoras. Nessa atmosfera, produtores experimentais redescobrem equipamentos old school e exploram seus recursos, como não fizeram antes da onda. Trocam mesas de audio e computadores de última geração e passam a montar suas próprias bugigangas. Eureka! Os experimentos laboratoriais nas produções misturam moda antiga e efeitos de sintetizador. Stereo e mono têm conversado muito entre si, e alcançam novas possibilidades.

Depois dos mais variados riffs, beats, pitches e samples, o que mais pode ser inventado na música atual? Dubstep é um gênero musical arrojado, que brinca com traços sonoros dos videogames 2D, entre outros elementos juvenis. Como não ter memória afetiva ao perceber um som meio Mario Bros., ou se deparar com clipes que lembram universos dos quadrinhos e casas da Barbie? Fora os recursos tecnológicos que imitam produções anos 80 de VHS, com um figurino meio David Bowie ou mais Geek (nerd para os mais íntimos). Nova onda cool que a MTV batizou de Rraurl.

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Dubstep e o Rap:
A batida combina perfeitamente com o Rap. Traz uma mistura de memórias e fragmentos musicais que dão uma vontade quase automática de dançar, de curtir. O Rap vai ser sempre o Rap, o Dubstep veio para, no mínimo, dar um tom comercial. E o que dizer da investida das músicas de Rap lançadas atualmente? Tá aí o projeto
N.A.S.A., do brasileiro Zegon e do americano Squeak E. Clean, que produziram a faixa Gifted (feat. Kanye West & Lykke Li), no disco Spirit of Apolo de 2009.

Algumas produções ditas alternativas, podem ser facilmente executadas em qualquer tipo de ambiente. Podemos chamar de RapStep ou Up Rap: ritmos e graves audaciosos, melodia fácil, pra cima. Releituras com sacadas super originais - se isso for possível - como no caso da cantora M.I.A., que abusa do ritmo, misturando ao Miami Bass e ao Funk Carioca.

A onda do momento? Dubstep, de levada envolvente, sedutora. Em clima de festa, vem desencadeando uma série de tendências na produção, que ecoa dobras e loops surpreendentes, que lembram de Kraftverk a B-52's. Um figurino meio Björk em alguns casos e alguma coisa de Moby em outros. De 2010 para cá, podemos perceber o Rap com letras mais suaves, quase inocente (muito sagaz, isso sim). Taí o exemplo da dupla Chiddy Bang, de Londres.

RECOMENDO a playlist do EP The Preview (2010).


Outro fruto do Rapstep é o também londrino DELS, que produz seus sons com ar europeu, elegantemente invocado. Lançou 3 singles envenenados no Dubstep em 2010. Shapesift é o mais executado. Com figurino retrô, abusa de clipes monocromáticos, teor estático e muito bem produzidos. Em março de 2011, DELS debutou com o disco GOB:


Agora percebemos a mesma produção sonora no disco novo do Eminem - Dubstep (2011), remixado e ousado.

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Dubstep e o Pop: O mais louco é poder prever o fenômeno de globalização sonora pós Dubstep. Ponto em comum na mistura futurística dos Black Eyed Peas? E o que dizer das produções de Britney Spears com Femme Fatalle (mesmo que as más línguas digam que ela matou novo gênero nesse álbum)?

Basta prestar atenção nos clipes e sons de Nicki Minaj, a afilhada rapper da loira, que usa atmosfera infanto-juvenil para falar como gente grande (comparada à Lil'Kim, sabe-se lá desde quando). Uma tendência que alça voos inimagináveis. Para quem pensa em música rotulada, Dubstep está virando prato cheio.

Dubstep e Rock: Sem deixar de citar grupos de Rockstep (ou Rock Dubstep), como EsNine e os remixes feitos com Hard Core.

Dubstep Reggae: Se bebe da fonte, hoje a história se inverte. O Dubstep, originalmente influenciado pelo Reggae, agora também o influencia, a exemplo do som do Ubuntu Sound System.

Essa confusão nada mais é do que uma sucessão de elementos que agradam os mais diversos tipos de público, porque se comunica com outros gêneros já eternizados. Isso é futuro: a música "orgasmagórica", ressonante. O Dubstep já entendeu assim. O Rap, vem com tudo nessa onda, caindo na simpatia de produtores e adeptos. A tendência é expandir cada vez mais, seja com o Dubstep, ou com o que surgir no futuro de agora.


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3 comentários:

  1. Parabén Nikita, mais uma matéria que alimenta a mente daqueles que buscam informação inteligente e feita com total dedicação!
    Beijos tamu junto nega.

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  2. Valeu pela força,Dom querido. Vamos nessa!! Beijo!!!

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  3. e bjork tb!!! nova musica Crystalline dela tem drumnbass e dubstep! ótima matéria!!!

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