segunda-feira, novembro 18, 2013

Ser Laranjeira

:: Poesia Nova ::  


SER LARANJEIRA


          Quando tudo o que se tem é um beck, dinheiro, arredondamento de assuntos. As amizades começam simples e por motivos diversos.  O amor pode nascer e morrer na simplicidade de um golpe. Há de entender porque permanecem. Há quem diga sobre as minhas amizades, que não as cultivo bem, enquanto outros com a mesma retórica dizem que não existe ninguém mais amiga... É complicado. Não devo nada, fora da minha complexidade humana. Nem satisfações, nem refrões mais sábios, nem alertas, nem fábulas. 

         Não encontrei na minha esfera somente pessoas ruins, mas é a velha história da laranja podre entre as maduras. Cresci e apareci. Amadureci. Certa vez não acreditei - no alto da minha cegueira - no que  me disseram:   "Quando a gente ama a pessoa errada, é porque esta deve ser uma laranja verde que não chega a amadurecer, ela nem cai do pé e já apodrece". Hoje acredito nisso. 
          Acredito que não amadureci como uma laranja. Mas que sou uma laranjeira, frondosa, com meus espinhos, mas que tem frutos e sombra suficientes para florir a cada estação e receber cantorias de pássaros soltos. 
          Ainda almejo manter minha sombra e minhas raízes. Sem tirar o espaço todo do laranjal, sem cultivar pragas, sem frutos amargos. Espinhos sim, mas para proteger meu reino, feito de frutos doces e maduros, que são meus amigos, família. Se houver na terra uma semente, que seja você meu amor mais sincero e menos apaixonado para que tenha calma ao germinar, sem se preocupar com o doce falso de caixinha. 
          Quando tudo que se tem é um beck, uma confusão mental, uma paralisação do que seria fundamental por pura vaidade... Um beijo com força de adeus velado, de caso pensado... Prefiro minha amizade ou meu ódio sincero do que um amor forçado e mal pago com descaso. Porque amor com amor se paga. Não é o dinheiro, nem o beck, nem cuspir pra cima.
          Meu conforto é olhar para frente sabendo que o presente se vive, mas se almeja algo além dos frutos. Moral da história: o moralismo só serve para o falso ganhar espaço. Que seja a vida mais importante do que uma causa momentânea, uma relevância alavancada por hedonismo, vaidade e hipocrisia. O amor é um suco de laranja gelado no calor do meio-dia.