REPORTAGENS - ENTREVISTAS

:: Lançamento ::

Matéria publicada no site/blog XXL Co
 (26/03/2013)

SpeedfreakS: Do Marco Zero à Velocidade da Luz



Por Monique Barcellos

O rapper Cláudio Márcio de Souza Santos é considerado o precursor do Rap Carioca. Morreu há exatos 3 anos, dia 26 de março de 2010, aos 39 anos, executado sumariamente, em um dos lugares mais perigosos de Niterói, cidade nasceu e fundou o primeiro grupo de Rap, o SpeedfreakS, com Black Alien e DJ Rodrigues. Cidade onde perpetuou sua arte, onde deixou uma filha, hoje com 10 anos. Após o ocorrido, o caso foi investigado pela 76º DP de Niterói. Quanto ao desfecho não foi divulgado nada oficial.

Para aqueles que querem tomar proporções de Speed como artista, um de seus discos, Expresso (2002) chegou a ser considerado pela crítica especializada como “O Maior Álbum de Rap Brasileiro de Todos os Tempos”.
Recapitulando, quando entrei em contato em 2006, Speed estava morando em São Paulo, mesmo assim marcamos uma entrevista. Só em 2008, quando de volta à Niterói, nos conhecemos pessoalmente e marcamos a entrevista na fila do show do Afrika Bambaata, na Fundição Progresso, Lapa.

Praticamente invadimos o SESC Niterói, dia 18 de julho de 2008: eu, ele e o amigo e seu então parceiro musical Victor Bhing I, que conheci na ocasião e filmou a entrevista. A entrevista, a princípio, foi divulgada escrita e em áudio, pela Internet.


Um dos teasers para o Lançamento do vídeo pela Internet
 (
Reprodução: Monique Barcellos)


Nas semanas que antecederam sua morte estávamos combinando de nos encontrarmos para eu entregar o presente material em vídeo, na íntegra, já que ele se encarregou da missão de editá-lo (Speed, além de produzir, divulgar tudo sozinho, também estava editando seus vídeos).

Infelizmente não pudemos finalizar mais essa missão, que agora está em forma de homenagem. Fiz divulgações sobre os trabalhos do Speed desde 2008 com Links, Discografia, Biografia e Lançamentos. E, muito além da parceria profissional, perdi um ídolo e um grande camarada.

Morre o homem, nasce a Lenda

De acordo com sua Discografia, podemos citar as principais publicações. As primeiras gravações foram os singles “Sinistro” e”Eu Sou o Capeta” no começo dos anos 90. Depois Speed lançou a lendária fita demo, com seu grupo Speedfreaks – Demo [K7] (1992). De 1997 até 1998 várias músicas foram lançadas na Internet, entre elas, “Som da Glock” e “Timoneiro

Formou em 1999, junto com Gustavo Black Alien, a dupla Black Alien & Speed na qual estreou com a canção “Guerrilha Verbal”, música que tem participação do vocalista niteroiense Mário Seixas, da banda de reggae Bagabalô.

Gravou e produziu os álbuns: De Macaco (1996), Expresso (2001), Sangue Sob O Sol (2003), Só O Começo (2006), Meu Nome É Velocidade (2008), De Volta No Jogo (2009) e Remixxx-Speedfreaks – Featuring Vol. 1 (2009). Das participações em Coletâneas estão No Major Babies (1993), Baião de Vira Mundo (2000), Hip Hop Rio (2001), Surf Adventures – O Filme (2001), Revista Trip (2003), Penta Brasil (2003), Brasil Muito Além (2008). 

Speed participou ainda do documentário Mister Niterói – A Lírica Bereta, de Ton Gadioli, onde deixou seu depoimento sobre a vida e obra de Black Alien. O documentário foi lançado em 2012.
Toda classe artística que conheceu ou trabalhou com Speed classifica sua morte como uma perda irreparável para o Rap Nacional e mesmo para a Música, visto que, além de músico e produtor, Speed era considerado e também se considerava um exímio baixista. Fez surgir o Rap do marco Zero e seguiu iluminado pela consciência, até a Velocidade da Luz. Esse era Speed.
No próximo dia 16 de maio, três anos após sua morte, Speed faria 41 anos. Espero que essa homenagem em vídeo seja um alento para familiares, amigos e fãs, para que sua arte e suas ideias e, principalmente seu caráter sejam sempre lembrados.

R.I.P.
Monique Barcellos – Jornalista 



***




:: Lei Di Dai (SP) ::
20.12.2010

 Positividades na Pista e na Vida

Essa é a lei da cantora Lei Di Dai
Por Monique Barcellos

Figura mais do que respeitada, tanto nas festas de Ragga / Dancehall de São Paulo, como nas ruas, Daiane cresceu e vive com muita satisfação na Vila Ré, Zona Leste paulistana, influenciada pela música e guiada por Jah! Lei Di Dai (Apelido que adotou em homenagem à cantora americana Diana Ross) é considerada a “Rainha do Dancehall no Brasil”. Uma mulher de Sampa, do gueto, do Reggae... Uma mulher de negócios, que tem o prestígio nas festas de Ragga pela noite paulistana, pelas calçadas e SESCs. A cantora, que tem raiz, talento e carisma de sobra. Também tem seu trabalho, tem sua música reconhecida internacionalmente.  

"O som jamaicano vem com boas vibrações, isso
me faz ser quem eu sou." (Lei Di Dai)


              Lei Di Dai / Divulgação

Ao lado de grandes nomes do Dancehall Mundial (Bounty Killa, Killa Queenz, Lady Chann, Capleton e Lexie Lee) Lei Di Dai fortaleceu a cena Ragga / Dancehall No Brasil com seu som na coletânea dos caras de Los Angeles (South Rakkas Crew). Lei Di Dai foi considerada a “Rainha do Dancehall Brasileiro” pela revista Rolling Stone em 2006 e, em 2008 lançou um disco de forma independente (“Alpha & Ômega – 2008). Com a vibe positiva dos amigos, fãs e um trabalho de qualidade, o disco é o mais vendido do gênero no Brasil. Uma das pioneiras no Brasil, Lei Di Dai acaba de gravar o DVD "Mixtape Dancehall Ragga", com lançamento previsto para 2011 e adianta detalhes desse e de outros projetos. Confira a entrevista exclusiva!

O DANCEHALL PELO MUNDO

Todas as gerações do Reggae e os estilos conversam muito bem entre si. Mas o Dancehall/Ragga pode se dizer o mais irreverente e versátil de todos. Estilo inicialmente mais distante dos temas políticos e religiosos do Reggae, o Ragga/Dancehall surge no final dos anos 70...      (LEIA MAIS)  
 
(Divulgação: Lei Di Dai e banda QG Imperial)


 Do lado de cá, Lei Di Dai vem com tudo e aposta no Dancehall com a cara do Brasil.


REPRESENTANDO A MULHER NO MICROFONE

Lei Di Dai já contagiou plateias e programas de TV pelo Brasil. Tudo com desenvoltura de quem é sua própria empresária, assessora de imprensa, secretária. Lei Di Dai cria música e estrutura próprias, consegue eliminar as burocracias com a mesma desenvoltura com que compõe as letras, que se deixa envolver pelos riddims
Seus shows têm geralmente a parceria com banda QG Imperial (Foto anterior - Danilo - baixo, Jah Faya - bateria, Lei Di Dai - vocal, Lucas - teclado e Daniel - guitarra) e o trabalho teve apoio da marca Guns SkateBoards, até 2009, quando produziu seu primeiro CD. Agora com a gravação de DVD, ela conta com outros apoiadores em grande estilo. Hoje Lei Di Dai conta as marcas Santo Angelo e UltraEco.


Em qualquer situação, em qualquer base, essa guerreira vem conquistando o espaço. Um espaço da cena Reggae atual, antes dominado em grande parte por homens, já que, na maioria das festas encontramos mulheres como rainhas da dança (apelidadas de Punnanny e Dancehall Queen). O microfone ainda é para poucas. Mas isso vem mudando gradualmente, com certeza com talento e o empurrão positivo de Lei Di Dai.

                                                                                              Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali 

A entrevista a seguir revela um pouco do estilo de vida de uma das cantoras mais influentes da cena reggae atual. A cantora participou recentemente de um evento somente com atrações femininas. A festa RAGGA DANCEHALL contou com várias MCs/Deejays abrilhantando a cena independente de São Paulo. Acabou de gravar o DVD “Mixtape Dancehall Ragga”, no espaço Matilha Cultural, com o lançamento previsto para 2011. A guerreira é nossa entrevistada e adianta também algumas participações desse e de outros projetos, sempre levando positividades por onde passa com sua musicalidade e negritude. Puro Fya!      


Entrevista - LEI DI DAI

Monique Barcellos - Uma das primeiras influências musicais (segundo entrevistas anteriores) foram as rodas de samba no bar dos seus pais, na Zona Leste de São Paulo. Quando você decidiu seguir a carreira de cantora e quem ou o que foi seu maior incentivo?
Lei Di Dai - Sim, cresci em um ambiente totalmente musical, a maior incentivadora é minha avó, que sempre me apoiou e investiu na minha carreira. Aos 20 anos decidi só cantar e encarar os desafios da música.

MB - Entre as características do reggae, do som de pista (DANCEHALL) nas suas músicas, você expõe muita personalidade e otimismo nas suas letras, a vibe positiva, resistência, negritude.  Essa atitude positiva vem do reggae ou vem de berço?
LD - Vem de berço, que sempre foi balançado pelo "reggae", meu pai era um grande ouvinte de reggae e boa música e me ensinou sempre encarar a vida na positividade. Porque tudo pode ser melhor se você encarar com otimismo, verdade e viver feliz!!!!

MB - Como o reggae entrou na sua vida? Quais são as suas maiores influências musicais no Brasil e na gringa?
LD - Reggae é vida! Minhas influências são muitas, gosto de música com sentimento, batidas africanas e boas mensagens. 

MB - Você é conhecida por sua voz poderosa e pela vibe dançante nas suas músicas. Como surgiu a parceria com a marca Guns Skateboard?
LD - São Paulo é pura energia de encontros certos na hora certa e foi isso que rolou, estava de role na galeria 24 de maio. Encontrei o Indinho da Mission que me apresentou o Alberto da Guns e ele me perguntou sobre o cd.  Eu falei que ainda não tinha lançando porque precisava de apoio cultural e como o Alberto já tinha ouvido falar do meu som, sugeriu a parceria de um tenis Rasta by Lei Di Dai. Com as vendas do tênis e mais o apoio de Fauzi Beydon (tribo de jah), lancei o "Alpha & Omega" o mais vendido do gênero graças a Jah!

MB - Seus trabalhos têm uma grande influência na cena reggae de São Paulo, do Brasil . Ao mesmo tempo, São Paulo - assim como na maior parte das cidades - tem “muita Babilônia”: tudo envolve dinheiro e rótulos sociais. Como você administra sua música no seu dia-a-dia. O conteúdo que você passa nas letras é um alerta, ou é o que acontece com a Lei di Dai no cotidiano?

Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali





Lei Di Dai nos bastidores: Concentração antes do show.

LD - Acontece mesmo, é realidade, ser preta, mulher da periferia e conseguir em grande estilo tacar fogo na Babilônia é fantástico! Porque a Babilônia é mental, as pessoas são cheias de conflitos e ambições, por isso mantenho o equilíbrio e faço as coisas acontecerem na boa vibração, fazendo a diferença sem me entregar à Babilônia e Ragga neles.


MB - QG Imperial é uma banda de apoio super respeitada na cena reggae de São Paulo e que também tem grande importância no seu trabalho. Como surgiu essa união?
LD - Em 2006 a união foi natural, eles foram muito importantes no início da minha carreira solo, nos conhecemos há muito tempo e temos uma afinidade musical gigantesca.

MB - Em 2008 você lançou o disco "Alpha & Omega", o mais vendido do gênero. Você acredita que essa diversidade de ritmos no seu disco e a aceitação desse formato é um sinal de que a cena reggae do Brasil pode inovar, arriscar mais?
LD - Aqui no Brasil tem várias bandas bem tradicionais, o "Reggae Nacional". Eu fugi dessa linha de reggae e fui direto a fonte... Jamaica!!!  Inovação mesmo. Popularizar o "Dancehall" que é a evolução do Reggae... Trazer o Dub, Rub - A - Dub, New Roots, pro povão mesmo. Aqui no país a galera gosta de dançar e se divertir. Então pensei em fazer o povo dançar e pensar ao mesmo tempo com ritmos envolventes.

MB – Considerada pela revista Rolling Stone a “Rainha do Dancehall no Brasil”, qual a sua visão sobre a mulher na cena musical e na babilônia atual?
LD - Ser considerada a “Rainha do Dancehall” me deu forças pra continuar a cantar, acreditar, produzir, foi presente de Jah! Sair em uma revista conceituada mundialmente, um incentivo pra todos que me conhecem. A mulher pode tudo e muito mais que quiser, temos força, coragem, determinação, acho que grandes mulheres estão fazendo a diferença. Positvidades a todas as minas de responsa!!!

                     Divulgação/ Foto: Fernado Gardinali

MB – Você já participou de programas de TV na MTV (Onde também foi indicada ao Prêmio de Melhor artista de Reggae – VMB 2009), e TV Cultura, entre outros. Este ano também participou da Mixtape do South Rakkas Crew. Como surgiu essa parceria com os caras de Los Angeles?
LD - O selectah Akaider (DJ Akaida) veio pro Brasa conhecer a cena Dancehall/Reggae, gravou alguns brasileiros lá no estúdio do Galo Rex, e minha faixa foi escolhida pra entrar na Mixtape, ao lado de grandes nomes do Dancehall mundial como Bounty Killa, Killa Queenz, Lady Chann, Capleton, Lexie Lee.

MB – “Smokin Sensi”, som que você canta nessa Mixtape tem um beat bem acelerado. É o estilo mais moderno do dancehall atualmente, mais conhecido no exterior como Funky House. Como é seu processo de improvisação e de compor versos para as bases?


LD - To curtindo essa onda mais moderna pras novas faixas. Gosto de dançar sentir o beat, ai a letra vem naturalmente. 

MB - Sua música dá a impressão de estar sempre na frente, inovando com suas parcerias. Você acredita que a cena musical no Brasil é um pouco atrasada, comparada aos outros países?
LD - Bom eu gosto de inovar. E a inovação é tradição no Reggae, que é fazer música com o que se tem na mão, o Brasil criou um Reggae que só tem aqui, com base no Early Reggae. Quando estive em turnê pela Europa, vi que os caras respeitam muito a tradição mais não são presos ao passado, então conseguem fazer beats modernos sem perder a essência.  Aqui tem muitos produtores como Digitaldubs, Gustah, Jimmy Luv, Dubiterian, Buguinha Dub, que fazem essa evolução muito bem. 



MB – Recentemente você gravou o DVD “Mixtape Dancehall Ragga”, no espaço Matilha Cultural (flyer à direita), com o lançamento previsto para 2011. Pode adiantar detalhes (participações) desse e de outros projetos?
LD - "Mixtape Dancehall Ragga" é o nome do DVD que tem participações do QG Imperial e na segunda parte que ainda será gravada em 2011, terá a participação de uma Sound System, mais é surpresa, juro que conto em 2011, gostaria de agradecer todos os envolvidos nesse projeto, Matilha Cultural, banda QG Imperial, Casa da Lua – som; Jully & Camila Borba, Jah bless – figurino; Vanessita Barone – Maquiagem; Fernado Gardinali - fotografia e toda equipe de Produção.



MB – Como foi o evento que reuniu a mulherada do Reggae / Hip Hop?
LD - As minas representaram total !!! Foi uma noite de muito amor e respeito. Por isso continuo promovendo a festa Dancehall Ragga, sempre reúne grandes artistas é a evolução da boa música.


MB - Considerações Finais
LD - Positivas vibrações, obrigada a todos que apóiam o Dancehall/Reggae e sua essência.
Compareçam nos shows na “FESTA DANCEHALL RAGGA” ( Flyer abaixo - Última Edição do Ano – 11 Dez)...


LD - ... e nas terças do CCPC JAMEIKA DUB - em São Paulo!


:: CONTATO ::

E-mail: daicnb@yahoo.com.br
Telefone – 55 11 8794-0332 (Tim)

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.: Black Alien :.

12.10.2010

:: Exclusivo ::


O MARACANÃ DO SURF
RECEBE O ARTILHEIRO DA RIMA

  • Monique Barcellos

GUSTAVO BLACK ALIEN FAZ UMA TRIP PARA SAQUAREMA ENTRE SHOWS E A PRODUÇÃO
DE “BABYLON BY GUS VOLUME 2 – A ÁGUA: MISTÉRIO IN STEREO”

O cara foi skatista amador, pega onda desde os 9 anos de idade, queria ser skatista profissional, só
que a música o levou para outros rumos, basicamente, por influência do Public Enemy. Passou por
uma das maiores bandas de Rap Core do Rio de Janeiro e do Brasil nos anos 90: Planet Hemp. Fez
parte da primeira dupla de MCs de Niterói,  (Banda SpeedFreakS, que mais tarde virou Black Alien
& Speed). Ele chegou a se autodenominar “Mr. Niterói”, e hoje está um pouco mais relax com
essa coisa de alter ego. Gustavo "Black Alien" é um cara cheio de manias, porém atento às voltas
que o mundo dá.
(Fotos: Barrinha/ Itaúna- Saquarema - RJ). 

 "Voltar a andar de skate tá me dando minha autoestima
de volta, devagarinho."
(Black Alien)



BUSCA POR NOVOS RUMOS


A entrevista aconteceu durante a 
Seletiva Petrobrás de Surf Masculino, dia 16 de
setembro
. No meio de um bate-papo, entre amigos, em uma pousadinha “secret point”,
só da galera do surf e da malhação, com muita risada, rock’n roll no violão e relax na
bagagem. Saquarema não poderia estar melhor! Campeonato de Surf rolando, altas
ondas, muito Sol e novas energias. 
Atualmente Black Alien segue preparando o segundo
disco solo, com muitas surpresas. Comenta produções e 
participações em “Babylon By
Gus Volume 2 - A Água: Mistério In Stereo”
, com
lançamento parcial
previsto para Dezembro. Gustavo Black voltou a andar de skate, a curtir os eventos Expression 

Session. E também ganhou uma prancha de presente de um amigo, resumindo: está de volta
nesse universo. 
É um big rider da música no Brasil e também considerado um grande talento pelo mundo.
Este ano ele abriu dois grandes shows de artistas internacionais pelo Brasil: Do cantor
jamaicano Eek-A-Mouse e do rapper americano 50 Cent.
Nesse clima, o “Maracanã do Surf” recebe o Artilheiro da Rima. Os assuntos mais trágicos
tiveram um tom menos pesado, até reconfortante. Os assuntos alegres tiveram clima de
amizade e besteirol.
Confiram as manobras radicais dessa entrevista com Black Alien, no melhor pico Paz e Amor!






ENTREVISTA – BLACK ALIEN

Monique Barcellos – Na nossa primeira entrevista, feita em 2006
(Programa 
SOM DE RUA), você afirmou que pega onda desde os 9 anos de idade, queria
ser skatista profissional, só que a música te levou para outros rumos, basicamente, por
influência do Public Enemy...

Black Alien – Ué, mas na época quando você me perguntou da música eu te respondi que era 
por causa do Public Enemy mesmo? Caramba, então, pô eu não sou caô não, né. Nem pra mim 
mesmo. Porque, tipo, tem umas entrevistas aí que eu to relendo ultimamente, por causa de disco
 novo - a gente vai dando umas relidas, e tal – e a resposta cai sempre a mesma: Public Enemy.
Legal... Então não tô mentindo nem pra myself, né, tô indo bem.
Então tô mentindo só pra vocês! Há-há-há-há!

MB – (Risos) Ultimamente você voltou a andar de skate. O que fica de influência do
skate na sua vida?


BA – Falando sério agora. Voltar a andar
de skate tá me dando minha autoestima
de volta, devagarinho. Eu tava sem
disciplina pro trabalho, pra escrever,
tava bebendo um pouco demais, e tal. 

Voltei a andar de skate porque um amigo
meu ficou indignado de chegar lá em casa
e ver que tinha teia de aranha no meu
skate. Então eu voltei a andar assim,
na pressão dos amigos do bem. E passei
a andar de skate, de madrugada, descer
as ladeiras perto de casa, em Niterói, os
picos que eu ando desde moleque, sozinho
mesmo. Às vezes com um amigo de carro
escoltando. Começando a de repente
perder peso, ganhar peso.. Passei a fazer
menos balada, até porque tá gastando
aquela energia física, e tal... E pegando a
autoestima de volta, quer dizer, começando
a melhorar fisicamente.

MB – E como isso está se refletindo na sua
música? Também está refletindo de outra
forma?

BA – Tá refletindo de uma forma diferente, assim...
Os versos estão vindo mais condensados. Eu tenho muita coisa acumulada
de verso, muita coisa mesmo! Que eu já tenho há muito tempo, assim. E...
(Black Alien levanta e desliga a TV).

MB – A entrevista não vai sair em áudio, vai sair
escrita...

BA – I’m no television set, and I’m no television crazy.
So, kill your television.
 (Bom, ela não vai ser revolucionada
 mesmo...). Bom, continuando: eu acho que tem muito material já, não tem nada que ser escrito.
Tudo que eu tenho que fazer - como eu já venho fazendo - é focar, colocar no papel e gravar, o
que eu já tenho feito. Tenho metade do disco pronto... Só que eu tô mais focado no rock’n roll,
em aprender instrumentos musicais, em aprender o que é nota musical, o que é Fá, Ré,  Dó,  Si,
Mi. Pra poder dialogar com gente que entende de música de verdade, aprender o que é música
brasileira, que eu não sei praticamente nada. Enfim, perder o pré-conceito com outros estilos
musicais, e entender mais amplamente a música, que é uma coisa muito mais ampla do que o
Hip Hop, do que o Rap... Que é um gênero mais... Assim, vamos dizer... Caçula do mundo, né,
cara. Porque o Rap nasceu nos anos 70, então vamos dizer que é o gênero mais caçula que tem.
Eu tô tentando ficar mais humilde, baixar minha bola, resumindo (Risos).

MB - Falando de influências para compor as letras, você afirmou que se inspira em filmes
de máfia para fazer música, que 90% das suas letras vêm de filme. Influência pra fazer
som ainda vem de filme?

BA - Os mandamentos de Don Vito Corleone, né cara, que é um personagem de ficção, mas que
é baseado em muitos mafiosos que não precisam ser italianos, né. A gente tem “Vitos Corleones”
aqui no Brasil, e tal. São coisas que já estão encalacradas, são coisas que eu já aprendi, são
anos que eu já passei, entendeu? Já tirei férias, com honra ao mérito. E filmes de samurai, que eu
gosto muito também, a gente tá sempre aprendendo. Com esse negócio de skate... Tô vendo
muito filme de surf, e vendo também que é um tipo de máfia. E ser skatista é ser meio
samurai. E ser surfista é ser meio samurai também, tá ligado? Você é meio caminho do samurai, é
meio que por aí. Hustler TV também tá punk! (Risos). Ah, gosto muito da TV Senado, por incrível
que pareça (Risos). Vejo geral de tarde ali, igual um maluco, igual um velhinho aposentado...

MB – Na variedade de temas das letras, como política, ficção, rua, além de letras de
amor... Por acaso existe entre esses temas, o que você se sinta mais à vontade e o que
você sinta uma necessidade de abordar?

BA – Boa pergunta. Eu acho que se sentir à vontade de falar... Eu acho que é normalmente só
besteira. Normalmente o que eu me sinto à vontade de falar é o que eu quero falar na hora,
não tem necessariamente um tema. E normalmente é um pouco disso aí tudo, assim.
Agora necessidade de falar é política, por uma questão de indignação. Por uma questão de
você ter acesso a uma informação que o povo brasileiro não tem. Porque você vê o povo levando
na cabeça e, às vezes até agradecendo. Então eu fico angustiado e aquilo me dá uma
necessidade de falar. De amor... Eu não tenho uma necessidade de falar... Eu acho bom
falar, assim, dá prazer falar. É diferente. Vamos dizer que dá tesão falar. Dá prazer.
E o outro dá como se fosse “Eu tenho que falar”, de política, como se fosse um missão. Amor
também acaba, de certa forma, virando “Eu tenho que falar”, porque o mundo precisa de
amor também. (Risos) É bem louco o negócio...

MB - Seu disco novo está em fase de produção. É considerado por muitos, uma das
obras mais aguardadas da cena independente, com previsão de lançamento para
dezembro deste ano. O título ainda é “Babylon By Gus Volume 2 – A Água:
Mistério In Stereo”?

BA – Ainda é, cara. Só que vem com 6 faixas agora. Porque... Hum... Vou até rimar:
Vem com 6 faixas agora, porque senão minha úlcera “estóra”. É... (Risos). Então são 6
faixas assim, bem bonitas, a gente escolheu bem, fizemos com muito carinho. Duas falam
de surf e skate, uma fala de política e 3 falam de amor. Então essas 6 faixas saem no dia 1º
de dezembro. E saem sem “Identidade” e “Homem de Família”, que já estão no site, no
Myspace e tal. Essas faixas a gente talvez lance quando tiver um disco grande, ou não...
E as outras 6 faixas a gente pretende lançar meio que, no início do Carnaval.

MB – E a segunda parte, essas do Carnaval, é o mesmo título, tudo? É uma
continuação...
BA – “BABYLON BY GUS VOLUME 2 – A ÁGUA”, mas não é “Mistério In Stereo”. Talvez seja
“Planeta Cocô”... Porque “A ÁGUA”... Bom, minha sobrinha, os filhos dos meus amigos todos
adoraram o título. Porque o disco é pras crianças, né.
Como sempre.


MB – E o processo de gravação, tem participações? Como tá?

BA – Dessa vez eu quero chamar gente que rima – que no outro não teve ninguém que rimou
nem cantou. Todas as vozes do disco anterior fui eu que fiz. Só teve um verso que eu dividi
com um falecido amigo, Carlos Caetano. Nesse disco quero dividir versos com MCs,
compositores e letristas que eu gosto. Agora, são pouquíssimos também, porque tem muita coisa
pra falar. E eu quero vozes femininas, e quero corais de crianças. E isso tudo, na verdade, já foi
de certa forma gravado. Quero muita criança no disco, porque como eu disse: o disco é pra criança
e eu quero evidenciar isso um pouco mais e... Os mesmos amigos, praticamente todos do disco
anterior, Pupilo (Nação Zumbi), Bi Ribeiro (Paralamas), Bidu Cordeiro (Paralamas)... Mais gente,
cara...


MB – Bnegão??

BA – Bnegão, cara, o Bernardo... É porque a gente é tão irmão, mas tão irmão, é um coisa tão
óbvia... Uma coisa tão univitelina, que é só quando chegar a hora. Entendeu? Mas a gente não tem
nada marcado. Agora tem pessoas que vão cantar no disco. O Kamau, um MC de São Paulo que
anda de skate, que é meu camarada vai cantar. O Manu Chao vai cantar. E pessoas que ainda não
fechei, que eu não posso falar... E vozes femininas, e corais de crianças, isso aí com certeza.

MB - Em maio você disponibilizou três faixas na Internet (Myspace). No caso, você
disponibilizou, mas não teve lance de download. Qual a sua visão na questão de
downloads?

BA – É. Não teve lance de download. Sabe por quê? Eu acho o seguinte: é bom você ganhar dinheiro
no show... E você não ganhar dinheiro pela música? Porque dá um trabalho du caralho, você faz
aquilo com muito carinho, você trabalha, compõe, pensa. Você enfrenta um papel em branco e
constrói um poesia em cima daquilo ali, em prol do bem das coisas. Porque se eu quisesse dinheiro
eu teria outro emprego, e não emprego de poeta, nem de MC. Seria empresário, político, ou qualquer
outra merda, né. Mas o negócio é o seguinte: as músicas não estão disponibilizadas pra download
porque elas não estão prontas, então às vezes eu acho que minha voz tá ruim, o Basa (produtor
musical Alexandre Basa) acha que o piano tá ruim... A gente é perfeccionista e acha que não é pra
baixar desse jeito. Mas tá tranqüilo, assim que tiver do jeito que vocês merecem ouvir, artisticamente,
vai tá lá... Pode pegar à vontade, POR FAVOR, aliás.

MB – E essa idéia da base da “Sua Cara Encontra a Mão”, que vocês fizeram outra base,
uma base diferente, né... Como é que foi a história (Risos)?

BA – É porque eu vi o filme (Risos), o filme do Biggy (Notorious B.I.G.). Eu não tinha visto. E o
Biggy morreu numa treta com
Tupac, né. São dois ídolos que gente perdeu, são dois gênios, aliás. Um com 24 anos e o outro
com 25... Porque, coisas que armaram pra eles, que um falou, que o outro falou, e tal. E, porque
eu vi o filme do Biggy e chorei muito durante o filme... Pô, cinco negão, cheio de barba, cueca
aparecendo, um bando de dreadlock, chorando igual um bando de bebê, naquele filme do
Notorious B.I.G. E aí, no dia seguinte a gente fez um remix da música “Sua Cara Encontra a Mão”,
só que, homenageando Tupac Amaru Shakur. Um remix com pianos Califórnia e com os arranjos
Califórnia ali, depois que vimos um filme do Biggy, então a gente quis dizer: “Pô, que porra é essa,
amigo?”
, entendeu? “Que história é essa, que vem de cá, vem de lá, que caozada é essa?”, né.
Então tá aí o remix aí “Sua Cara Encontra a Mão (Amaru Shakur - Special Remix)”, much pride!
É isso.

MB – Então, agora a gente vai entrar num assunto um pouco menos ameno... Vamo lá.
Há alguns meses, mais precisamente...
Na madrugada de 27 de março (Sábado)... Toda
classe artística e os fãs de 
Speedse vêem abalados com sua morte brutal. Vocês
formaram a primeira dupla de Rap de Niterói. Você cuida para que o emocional não

afete suas produções... Ou é inevitável...?

BA – (Longo suspiro) ... O disco estava em plena produção quando isso aconteceu. E o disco
só tá voltando à produção há um mês atrás, porque agora é que isso foi absorvido... Então abril
maio, junho, julho, agosto. Cinco meses pra isso ser absorvido e... E absorvido de várias
maneiras... E... Agora as coisas estão voltando ao normal, de uma forma esquisita ainda, mas, 

tá todo mundo ainda meio... Meio... Sei lá...

MB - Abalado...

BA – É.

MB – E você gostaria de deixar algum comentário, alguma recordação, que represente
essa história, com o Rap Nacional, como dupla...

BA – Bom, Rap Nacional, não sei. Mas eu acho que Rap Nacional e uma parada... Micro, em
relação ao músico, ao gênio musical que a gente perdeu. Uma personalidade... Esquizofrênica,
talvez, mas um GÊNIO musical. De uma genialidade musical infinita, a gente perdeu. Foi uma
perda como a casa do Hélio Oiticica ter pegado fogo ali...

MB – E gostaria de deixar alguma passagem, alguma coisa que remeta diretamente,
ao fato: “Pô, esse cara... Isso faz ele ser ele!” entendeu?

BA - Ele costumava dizer que... Bom: “Pelo meu som, eu saio na porrada!”.

MB – E depois do ocorrido, você, Bnegão e Marcelo D2 se reuniram no palco do Circo
Voador
...?

BA – Não, eu só subi lá porque me chamaram e disseram que eles dois tavam no palco. E como
eles dois não se falavam há 5 anos eu fui lá no palco, chamei os dois num canto, e disse que se
os dois viados saíssem na porrada, eu ia meter a porrada nos dois. Eu só fui lá pra os dois não
saírem no tapa, igual duas bichas. Só fui lá pra cuidar deles.

MB – Só que a partir daí surgiram mais especulações sobre a volta do Planet Hemp,
além das mobilizações de fãs pela Internet, falando “Volta Planet, volta Planet! (Risos).
Os caras se reuniram no Circo, vai ter show do Planet!”... O que você pode, pela sua
visão, interar ao público sobre esse assunto? Porque criou muito barulho na galera,
por causa dessa reunião...

BA – Isso tudo... Isso tudo é dinheiro, tudo no final é dinheiro. Toda turnê de volta, sempre no final
é dinheiro, como Sex Pistols, como qualquer coisa. E isso é ótimo, ou não. Mas vem um filme
sobre a história do Skunk por aí, por exemplo. E eu acho que pode ser que tenha alguns shows
do Planet de volta de novo ou não. Uma curta turnê de volta ou não, meio que junto com o filme ou
não, antes ou depois... Assim, mas isso ninguém tem certeza, isso tem que ser conversado com
todo mundo.

MB – Da sua parte...

BA – Reunir... Da minha parte eu... O que eu posso dizer...
É uma coisa que pra mim foi uma época muito feliz, assim! É... (Gargalhadas)

MB – Parabééaans! (Gargalhadas)

BA – (Risos) Entendeu? Pra mim foi ótimo! Seria muito bom reviver isso e ver um bando de
maluco com os dreadlock grisalho, entendeu? É... (Risos) com aquela mesma camisa cheia
de buraco escrito “Planet Hemp” lá...

MB – Pulando com mais 20 quilos, né...

BA – É, com os filhos de mão dada,
aliás, com a carteira falsificada lá
dentro, cantando os mesmos refrões,
eu acho que seria uma maravilha.
Mas, eu gosto de tocar muitas músicas
do Planet. Eu, o Zé (DJ Zegon) e o
Bernardo, a gente tem um show
chamado RE-UNIÃO, e que o Zé
Gonzales abre, com o set dele que é
matador. Bernardo canta o show dele,
eu entro cantando meu show... E no
meio do meu show Bernardo
entra e canta no meu show comigo,
e ficamos nós três. (Foto: Myspace
Black Alien). E algumas do Planet a gente canta, a gente vê as pessoas entrando praticamente
em transe, e a gente também meio que entra em transe, assim. Mas isso não é a banda,
isso não tem Rafael, não tem Formigão, não tem Marcelo (D2). Então não sei se com Marcelo,
com a banda vai ter esse transe, como é que vai ser isso aí, mas... Mas toda turnê, essas coisas
(Risos) assim, a gente nunca sabe o que vai dar... Mas eu espero que, se tiver, que dê tudo certo.

MB – Se tiver você tá dentro então...

BA – Olha, eu acho que... Eu acho que se tiver, eu não sei... (Risos)

MB – (Risos) Então, a gente tá produzindo essa entrevista em Saquarema, Capital
Nacional do Surf. Trabalhando e, ao mesmo tempo você está tendo oportunidade de
sair um pouco do turbilhão, das suas paradas...

BA – Agora tá dando pra voltar um pouquinho... Né?

MB – É! ... E curtir as ondas, fazer role de skate, podendo se divertir um pouco no meio
desse tsunami... Gostaria de deixar considerações finais sob essa ótica? O momento hoje,
em Saquá? O momento presente. Presente e sorridente.

BA – É muito bom peidar, rir com os
amigos, ficar quietinho, no sapatinho,
tipo... Tocar violão, comer pizza com a mão,
rir, ligar televisão... Desligar, tomar um
choque no chuveiro. Ver um campeonato
de surf e ficar incógnito de vez em quando...
Comprar uma cervejinha ali no botequim
com as vassouras penduradas no teto,
morô? Descansar um pouco a alma dessa
Babilônia que é qualquer coisa que envolve
dinheiro. Música no final, sempre envolve
dinheiro também. E lembrar quem sou eu
também. Porque minha vida ás vezes foi
outra, entendeu?
Minha vida foi acordar de manhã, pegar
onda, chegar em casa almoçar, dormir um
pouco, pegar o final de tarde, pegar onda de
novo, tomar duas caipfrutas, entendeu?
E dormir... Acordar de manhã a mesma coisa...
E agora, pô! Só tomo banho de lua... Então
de vez em quando é bom tá aqui em
Saquarema e é isso. Ficar na minha, cada
um ficar na sua.
Valeu! Paz!

MB – Mais alguma coisa?

BA – Acho que não, chama Raul pra tocar um violão!
(Risos)
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Myspace - Black Alien

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3 Comentários:

  1. otima entrevista , climao trankuilo ke nem parece reporter , muito bom
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  2. gabriel guiciardFeb 11, 2011 03:56 PM
    xd black alien um profeta eloquente com frases pequenas com muito significados!

    dramatico ou cultural nao sei si somos servo mas ele nao se curvou sobre a ditadura
    da midia i teve jogo de centura pra escapa do veneno das produtoras.
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  3. Genial Monique, como sempre vc consegue transmistir a alma do entrevistado
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